Esportes
Em duas horas, Rebeca Andrade muda estratégia e vai da frustração à glória
Quarta na trave, ginasta eleva nível no solo e se torna, na qualidade e na quantidade, maior atleta olímpica do Brasil
BATANEWS/REDAçãO
Eram 8h23 no Brasil nesta segunda-feira (5) quando a ginasta Rebeca Andrade recebeu sua nota na final da trave e soube que, por uma diferença de 0.067 ponto, ficou fora do pódio olímpico.
Última a se apresentar no aparelho em Paris-2024, ela optou por uma série conservadora, com nota de partida mais baixa (5.700) da que escolheu na fase classificatória (6.100), e apostou em uma ótima exibição para chegar ao topo.
Não deu certo. Com dois desequilíbrios e uma evolução não tão fluida, ficou com 13.933, atrás da italiana Alice D’Amato, ouro (14.366), da chinesa Zhou Yaqin, prata (14.100) e da italiana Manila Esposito, bronze (14.000).
Rebeca estava visivelmente surpresa e frustrada, porém precisava se concentrar porque ainda haveria o que conquistar pela frente na Arena Bercy, e logo.
Eram 10h32 no Brasil nesta mesma segunda-feira quando Rebeca Andrade se tornou, incontestavelmente, do alto de seu 1,55 m, o maior esportista olímpico do Brasil.
Depois de uma espera de 2min40s, o tempo que os juízes levaram para emitir a nota de Jordan Chiles, dos EUA, a última a se apresentar na prova de solo na Arena Bercy, em Paris, a brasileira soube que ganhou o ouro.
Com essa medalha dourada, Rebeca, 25, passava a ser, tanto na qualidade como na quantidade, a atleta mais vitoriosa do Brasil, com dois ouros, três pratas e um bronze.
Só ela, entre os brasileiros, soma seis pódios olímpicos –dois em Tóquio-2020 (ouro no salto, prata no individual geral) e quatro em Paris-2024 (ouro no solo, pratas no individual geral e no salto e bronze por equipes).
Há outros esportistas do Brasil que ganharam dois ouros, como os velejadores Robert Scheidt, Torben Grael e, o primeiro deles, Adhemar Ferreira da Silva, do salto triplo (em 1952 e em 1956).
Só que nenhum se equivale a Rebeca, que fica à frente dos compatriotas com suas pratas e seu bronze.
Qualitativamente, há uma atleta que pode se colocar à frente de Rebeca. É Thaísa, do vôlei. A meio de rede ganhou dois ouros olímpicos (Pequim-2008 e Londres-2012) e joga agora pelo terceiro. A seleção feminina está nas quartas de final.
'Terminei com chave de ouro, estou quase explodindo', resumiu Rebeca, orgulhosa, já com a medalha no peito.
Na final do solo na ginástica, a lógica foi driblada, o que contribuiu decisivamente para Rebeca triunfar.
Favoritíssima, a norte-americana Simone Biles, 27, errou duas vezes na execução de piruetas. Pisou fora do tablado e perdeu 0.6 em penalizações. Foi um raro dia ruim para a melhor ginasta do mundo, que já tinha caído na trave, ficando sem medalha.
Em se tratando de Biles, devido à grande diferença de categoria para as concorrentes, menos que o ouro pode ser considerado ruim.
O 14.133 dela no solo foi suficiente para a prata. Rebeca, que se apresentou antes e fez uma série menos difícil (dificuldade 5.900 ante 6.900 da norte-americana), conseguiu 14.166, com uma execução 'limpa', bem superior à de Biles (8.266 x 7.833), sem erros e, determinante, sem penalidades.
O bronze ficou com Chiles (13.766), que superou duas romenas que receberam nota 13.700.
Mais
'Fiz o meu melhor tanto no solo quanto na trave', sentenciou Rebeca ao comentar a performance desta segunda-feira em Paris-2024.
Na trave, certamente não foi o melhor que ela podia fazer. Faltou ousadia para chegar à medalha.
No solo, não faltou. A nota de partida foi alta (abaixo somente da de Biles) e, por seu mérito (e por demérito de Biles), Rebeca tornou-se a melhor do Brasil em Olimpíadas.
Um guia diário com o que rolou e vai rolar nos Jogos Olímpicos na França






