La Liga promete 'tolerância zero' a racismo contra Vini Jr em Atlético x Real

Estádio Metropolitano terá profissionais dedicados exclusivamente para o monitoramento de possíveis incidentes racistas; histórico da torcida do Atleti acende alerta para clássico de domingo

BATANEWS/REDAçãO GE


Atlético de Madrid e Real Madrid se enfrentam neste domingo por La Liga

O atacante Vinicius Junior estará novamente no Metropolitano neste domingo, e existe o receio — bem fundamentado, diga-se — de que a torcida do Atlético de Madrid promova ações racistas mais uma vez. La Liga promete tolerância zero com isso, dentro e fora do estádio, e garante contar com um sistema de segurança rigoroso.

Acompanhe os lances de Atlético de Madrid x Real Madrid em Tempo Real no ge às 16h deste domingo.

Em La Liga temos uma política de tolerância zero diante de qualquer tipo de delito nos jogos, tanto dentro quanto fora dos estádios. Todos os casos têm sido investigados e/ou informados aos órgãos e autoridades competentes —afirmou a liga espanhola, a pedido do ge.

A reportagem procurou La Liga nesta semana para saber, em detalhes, quais medidas de monitoramento e vigilância seriam tomadas antes, durante e depois desse jogo entre Atlético de Madrid e Real Madrid, para impedir novos episódios de racismo contra Vini Jr.

Sem dizer quantas câmeras ou quantas pessoas envolvidas, a liga espanhola afirmou que o Metropolitano, casa do Atlético de Madrid, está equipado com um "rigoroso sistema de segurança", reforçado com pessoas estrategicamente posicionadas para garantir a cobertura total do local. Além disso, o jogo terá profissionais dedicados exclusivamente para o monitoramento de possíveis incidentes, dentro e fora do estádio.

A liga espanhola tem trabalhado em conjunto com os clubes e capacitado jogadores e comissões técnicas, além de promover campanhas de conscientização dos torcedores e do público geral. No ano passado, lançou uma plataforma para denúncias de discriminação racial.

A medida mais recente foi a introdução, há duas semanas, do gesto "Não ao racismo", criado pela Fifa para ser usado pelos árbitros quando houver um ato de racismo em campo ou nas arquibancadas.

Episódios do tipo são reportados para a Real Federação de Futebol da Espanha (RFEF), a Comissão Estatal contra Violência Racismo e Xenofobia do Ministério do Esporte, e ao Ministério Público de cada província da Espanha. A liga espanhola alega não ter competência para sancionar clubes, torcedores ou jogadores por condutas assim.

O protocolo diante de uma ação racista no estádio é:

Paralisação momentânea do jogo, seguida de anúncios para acabar com o comportamento discriminatório;Suspensão temporária do jogo, caso o cenário não mude, e os jogadores são retirados do campo;O último recurso é a suspensão definitiva da partida.

Três torcedores do Valencia foram condenados neste ano a oito meses de prisão na por ataques racistas a Vini Jr, de maio de 2023, no estádio Mestalla. E nesta semana, foi a vez de um torcedor do Mallorca pegar um ano de detenção por injúrias racistas contra o brasileiro.

Racismo contra Vini Jr pela torcida do Atleti

Há quatro episódios registrados de racismo por parte da torcida do Atlético de Madrid contra Vinicius Junior, por La Liga. O primeiro foi em setembro de 2022, quando gritos racistas foram ouvidos dentro e fora do Metropolitano, antes e durante o clássico. Esse caso foi arquivado pela Promotoria de Delitos de Ódio.

O segundo ocorreu em janeiro de 2023. Naquela vez, um boneco com a camisa de Vini Jr apareceu enforcado em uma ponte dem Valdebebas, antes do jogo entre os dois times pela Copa do Rei. Também havia a frase "Madrid odeia o Real". Esse caso ainda tramita na Justiça.

O terceiro aconteceu em setembro do ano passado, quando uma menina foi ofendida porque usava uma camiseta com o nome do brasileiro. Recentemente, o investigado prestou depoimento.

E o quarto episódio foi em janeiro deste ano. La Liga apresentou denúncia perante a Promotoria de Delitos de Ódio de Madri por insultos racistas dirigidos a Vini Jr, no entorno do Metropolitano. O Ministério Público iniciou diligências de investigação, mas ainda sem resultados.