Uruguai proíbe torcida do Botafogo em jogo contra Peñarol e cria impasse com Conmebol

Confederação critica e exige que partida mude de local ou ocorra sem nenhuma torcida; mais de 1.600 ingressos foram vendidos aos brasileiros

BATANEWS/FOLHA


Torcedores do Peñarol, que foram detidos após confusão no Recreio dos Bandeirantes, chegam à Cidade da Polícia, na zona norte do Rio - Ernesto Carrico - 23.out.24/Divulgação/Governo do Estado do RJ

Uma semana após as cenas de confusão e violência no Rio de Janeiro com torcedores uruguaios, o Ministério do Interior do Uruguai anunciou a proibição de que torcedores do Botafogo compareçam ao estádio Campeão do Século, em Montevidéu, para o jogo de volta da semifinal da Copa Libertadores contra o Peñarol, marcada para às 21h30 desta quarta-feira (30).

Em comunicado nesta segunda-feira (28), o ministro Nicolas Martinelli disse que, 'diante dos incidentes violentos no Rio' e 'por razões de segurança para evitar possíveis represálias que poderiam desencadear mais distúrbios', proibirão a entrada dos botafoguenses.

'Os acontecimentos no Rio desencadearam eventos que aumentam o clima hostil e que evidenciam o alto risco que existiria' em um possível encontro dessas torcidas, escreveu Martinelli, ministro do governo de Luis Lacalle Pou, nas redes sociais.

Em nota, o Botafogo se disse surpreso e acrescentou que considera o Uruguai 'um país que tem todas as condições de garantir que a partida possa acontecer em segurança'. O governo uruguaio diz que a orientação para impedir os torcedores do Botafogo veio após avaliação das próprias forças de segurança locais.

A Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) respondeu e exigiu que a torcida seja recebida. Em carta à Associação Uruguaia de Futebol, disse que a notificação de jogar sem a participação da torcida visitante deveria ter sido emitida ao menos oito dias antes da partida.

'Aproximadamente 1.600 entradas já foram vendidas aos torcedores do Botafogo que, em sua maioria, já estão na cidade de Montevidéu', seguiu, lembrando o prejuízo financeiro e logístico para a torcida brasileira. As opções, disse a confederação, seriam jogar sem nenhum público ou mudar o local da partida.

A direção do Peñarol, por sua vez, inicialmente disse que pleitearia uma mudança de posição ao governo uruguaio. Mas na manhã desta terça-feira, após reunião de seus diretores, afirmou que apenas respeitaria a decisão do Ministério do Interior, contra a qual não pode ir, segundo apurou o jornal local El País.

Há uma semana, mais de 280 torcedores do Peñarol foram detidos na zona norte do Rio de Janeiro, depois de uma briga generalizada na orla do Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste da cidade. A maioria foi liberada, mas cerca de 20 ainda segue detida.