Esportes
Abel Ferreira diz que entende Neymar e critica gramados no Brasil: 'Se fiscalizar, passava um'
Técnico compartilha a preferência pelo natural, entende que antes o sintético que o natural com buracos, faz críticas ao Maracanã e Castelão e se mostra descrente sobre mudanças no país
BATANEWS/REDAçãO GE
Abel Ferreira adota uma postura realista - e até um tanto descrente - no debate sobre os gramados de futebol no Brasil. Valoriza o posicionamento dos atletas, que se manifestaram contra os sintéticos nesta semana, compartilha a preferência pelo natural, mas reconhece: antes o artificial uniforme do que o natural com buracos, trazendo como exemplo críticas ao Maracanã e Castelão.
– É como ter uma Ferrari e andar em uma pista toda esburacada – disse o treinador, após a vitória sobre o Botafogo-SP, na última quinta-feira.
– Eu entendo o Neymar. No Mundial, a qualidade do gramado natural era melhor que o melhor carpete que tenho em casa. Mas se a Uefa fiscalizar os gramados do Brasil, passava um, se calhar dois.
Mais notícias do Palmeiras: + Palmeiras terá novo desfalque na zaga para jogo decisivo + Allianz tem pior público do ano, xingamentos e apoio
O assunto voltou à toa nos últimos dias por conta da publicação de uma série de atletas, entre eles Neymar, Thiago Silva, Dudu e Gabigol, por exemplo, dizendo que "o futebol é natural, não sintético". Um posicionamento contra os gramados sintéticos no Brasil.
Atualmente, na Série A do Brasileiro, Palmeiras, Botafogo e Athletico utilizam, o Atlético-MG está em processo de instalação, e o Santos projeta o mesmo na Vila Belmiro.
– Por que que o Atlético-MG fez uma arena nova, meteu um gramado novo e depois vai mudar pro sintético? –questionou, antes de descartar questões de risco de lesão e vantagem técnica.
– Não está escrito cientificamente que um gramado sintético provoca mais lesões que um gramado ruim. O que acontece no sintético por experiência é que em termos de articulação sofrem mais, mas é uniforme, não tem buracos. Falam de vantagem… Quando o Palmeiras ganhou um dos campeonatos, foi o melhor visitante. Esqueçam isso.
Para Abel, a extensão do calendário e a falta de fiscalização torna impossível a manutenção de gramados em boas condições no Brasil.
– Ao natural é o que mais gosto. Sabe quantas vezes joguei no Maracanã? Um dos estádios mais míticos a nível mundial. Quatro a cinco. Sabe quantas vezes o gramado estava médio? Zero. Eu preferia ir lá jogar e ter um gramado sintético.
– Quando vamos ao Castelão, peço aos meus jogadores para não torcer os pés. Só quero que me digam quais os gramados top no Brasil. Tem um, que não vou dizer qual é, já disse várias vezes. Façam todos iguais aquele – completou, em referência à Neo Química Arena, que ele classificou como melhor do país.
Não é a primeira vez que o técnico demonstra interesse no assunto. A quase cinco anos no Brasil, Abel dedicou 11 páginas de seu livro a reflexões e sugestões de melhorias no futebol, incluindo os gramados.
Ele sugere a implementação de rega obrigatória, controle de qualidade e fiscalização sobre a manutenção desses gramados. Apesar disso, é descrente sobre a possibilidade de mudança.
– É competência, qualidade e rigor. Europa eles investem, há fiscalização e quando não está como deve estar, são multados os clubes.
– Parabéns aos jogadores, adoro quando se unem em torno de uma causa. Falem dos salários em atraso, do fair play financeiro, da profissionalização dos árbitros. Jogadores como Neymar, Rocha, Veiga, Thiago Silva, têm que se unir, o sindicato tem que falar, não é se omitir, é falar de tudo.
– É um tema bom, toda gente vai falar, vão fazer manchetes, mas no fim.. Quando é preciso tomar decisões e fazer alterações, zero. Desde que estou aqui, que mudanças fizeram? Zero.
Jogadores do Palmeiras não foram procurados por movimento
No início da semana, jogadores de grandes clubes do país se manifestaram em conjunto "preocupados com o rumo que o futebol brasileiro está tomando" e que era um "absurdo ter que discutir gramado sintético em nossos campos."
Em postagens nas redes sociais, atletas como Neymar, Gabigol, Dudu, Lucas, Memphis Depay, Thiago Silva, Alan Patrick, Philippe Coutinho, entre outros, promoveram uma campanha que dizia: "futebol é natural, não sintético." Nenhum atleta do Palmeiras foi consultado sobre o assunto.
– A gente está à disposição de quem começou esse movimento para responder perguntas. O Palmeiras sempre trabalhou com a melhor qualidade de gramado possível. Quando tivemos problemas, a primeira coisa que nós, jogadores, pedimos para a diretoria foi para buscar solução. E ela buscou e tem um gramado de alta qualidade. São cinco temporadas, nunca tive lesão ou problema. O gramado sempre favoreceu para que a gente pudesse ter um futebol mais rápido. Sou a favor de ter um gramado sintético de qualidade. Ainda bem que o Palmeiras é grande e tem essa condição – disse Marcos Rocha, um dos líderes do elenco palmeirense.
– Eu prefiro o sintético pela velocidade da bola, a facilidade de dominar e carregar. A gente às vezes vai jogar em um gramado natural, e se a equipe adversária não quer velocidade acaba não molhando o gramado. Aí fica lento. Eu prefiro jogar no sintético, molhado, onde a bola vai ter velocidade, do que um gramado natural lento e seco. A gente sabe a dificuldade do nosso país pelo clima, nem todos os estados conseguem manter um gramado de alto nível. Duvido que a gente consiga colocar cinco gramados naturais no Brasil que tem condições – avaliou o lateral-direito.



