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Obina relembra parceria com Hulk e briga contra a balança: 'Luxa mandava comer vento'
Ex-atacante contou como foi início no time baiano e passagem marcante pelo Galo
BATANEWS/GE
Atlético-MG e Vitória se enfrentam neste domingo pelo Brasileirão. E o ge foi atrás de um atacante revelado pelos baianos e que teve passagem marcante pelo Galo. Manuel de Brito Filho, ou Obina para o mundo do futebol, fez sucesso defendendo as camisas do Flamengo, Palmeiras e Atlético. Começou a carreira no Vitória, mas logo ganhou o Brasil por ser um atacante goleador. "Obina é melhor que Eto'o", "Barack Obina" e "Obination" foram apelidos que as torcidas deram ao jogador e que marcaram a trajetória dele, criando vínculo com os clubes pelos quais jogou.
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- Quando cheguei no Atlético, a torcida fez uma música nova para mim. Não queriam usar o "Obina é melhor que Eto'o". Aí eles criaram: "Abram passagem, o terror chegou, Obina destruidor". Aquilo me marcou. Foi logo no aeroporto que eles começaram. Quando cantavam isso no estádio, me motivava. Se a torcida está acreditando em você, você se sente motivado.
O ex-centroavante colecionou e guardou com carinho os apelidos que ganhou dos torcedores de Flamengo e Atlético. Músicas e pseudônimos para marcar a carreira do jogador.
"O "Barack Obina" existia dos tempos de Flamengo por causa de Barack Obama. Pegaram meu rosto e colocaram na figurinha com o "Deus perdoa, Obina não". No Galo, foi o Obination, porque estava na época do Léo Santana. Aí começaram a cantar a música com "Obination", relembrando a música "Rebolation".
- Eu sempre ficava de boa com os apelidos, nunca me preocupava com isso. Se é para o bem, que mal tem. E me ajudou muito. Em momentos difíceis no clube, o torcedor acreditando em mim. Se eu estava fazendo os gols e ajudando, para mim, não tem mal nenhum.
Início com Hulk
Obina passou por 11 clubes desde que virou profissional no Vitória, em 2002. Atuou em 484 jogos e marcou 168 gols na carreira. Iniciou no Vitória, mesmo time que outro ídolo do Galo jogou. Hulk começou na base do time quando Obina estava iniciando os passos no profissional. Os dois conviveram por um período, mas atuaram em apenas uma partida juntos.
Foi no jogo entre Vitória e Internacional, no Beira-Rio, que Hulk foi titular e formou dupla de ataque com Obina na derrota rubro-negra por 2 a 1. O ex-jogador relembra como foi "mostrar" um pouco do mundo do futebol para o atual jogador do Galo.
- Em 2004 eu era moleque também e naquela turma que tinha Vampeta, Edilson. Só que eu já estava no profissional há um pouco mais de tempo. Eu era titular, estava fazendo gols. E, no jogo do Inter, colocam eu e Hulk para jogarmos juntos. Já tinha treinamento. Ele era da base, eu também. E ele chega numa força absurda. O moleque segurava a bola. Eu lembro que o técnico até brincava com ele que ia dar uma bola só para ele, porque ele segurava bastante a bola.
O período em que os dois estiveram juntos na base e no profissional foi curto, mas suficiente para Obina perceber que o camisa sete atleticano era diferenciado. Uma "mina de ouro" que Vampeta deixou de comprar por R$ 50 mil. Na época de Vitória, o presidente do clube ofereceu o passe do jogador para o pentacampeão mundial, que recusou. Obina relembra e brinca com o "mole" que Vampeta deu ao não apostar em Hulk.
- Um talento nato. Uma força descomunal. Marcelo Heleno (zagueiro) batia nele e nada, ele continuava. Quando joguei com ele, foi muito fácil. Bom de bola, inteligente. O ruim parece que era eu. Um cara muito humilde, merecidamente venceu na vida.
"E gosta da resenha! Parece que não, mas ele gosta da resenha. Se eu sou resenha, ele é mais ainda. A gente ficava só na zoeira, coisa de concentração, de treinamento. Eu era tranquilo também, sempre fui muito tranquilo. Quem ensinou muita coisa para o Hulk foi o Vampeta. Vampeta deixou ele passar por R$ 50 mil. Mina de ouro e deixou passar."
Obina x balança
Obina ficou no Atlético apenas por uma temporada. Mas 39 jogos foram suficientes para o jogador marcar 27 gols ser o artilheiro do time naquela temporada, seguido de Diego Tardelli, com 25. Fazer gols era o que deixava o jogador leve para atuar, mas outra briga preocupava o jogador e quem comandava os times que passava.
A briga de Obina com a balança foi realidade na carreira. Apesar de estar no auge, e o peso estar quase sempre dentro do que era o indicado, o jogador relembra como era questionado neste ponto sempre que passava por um período sem gols.
- Eu sei que se fazia gol, estava magro. Se não fazia, estava gordo. Eu sei disse, sempre soube disso. Sempre tive esse problema. Luxemburgo me mandava comer vento para segurar, mas eu sabia que, quando estava em forma, eu voava. Eles faziam para o meu bem e eu agradeço.
Atualmente, o jogador se ver livre dessa preocupação. Desde que parou de jogar profissionalmente em 2016, ele curte a família e aproveita para comer tudo que a culinária baiana oferece. Mas, entre um jogo e outro de futevôlei, Obina aproveita para comer um prato que aprendeu a comer em BH e que nunca mais esqueceu.
- Manter a forma em BH é muito difícil viu. Você dobra a esquina e tem um tropeiro para comer. Mas aqui, minha esposa aprendeu a fazer uma canjica branca com amendoim... nossa, sempre que dá, a gente faz aqui. Isso ficou para a história.
Passagem pelo Galo
Obina foi contratado pelo Atlético no início de 2010, após o jogador participar da pré-temporada do Flamengo. Precisando de novos ares, após uma briga que marcou a demissão do jogador do Palmeiras, no fim de 2009, e um início de Carioca sem gols, Obina aceitou o convite do então presidente do Galo, Alexandre Kalil.
Logo na estreia na Copa do Brasil com a camisa alvinegra, Obina marcou cinco gols. Foi sobre o Juventus do Acre. Apesar de "fazer chover" no jogo, o atacante ainda foi xingado pelo técnico Vanderlei Luxemburgo por duas vezes durante o jogo.
- Foi uma cobrança, na verdade. Nesse jogo, eu já tinha feito três gols. E nesse jogo, eu entro numa bola que o Tardelli me dá um passe, e eu entro sozinho. Só que eu não ouvi o apito... na verdade eu ouvi (brincou), mas eu continuo, cavo por cima do goleiro e faço o gol. O juiz diz que eu ouvi e eu tomo o amarelo. Nesse dia eu tomei duas duras por bobeira. Quando eu vejo o Luxemburgo, ele fala: 'Você sabe que não pode tomar amarelo, não pode ficar suspenso. Eu vou te botar no banco'.
"O xingo mesmo foi pelo gol que eu não fiz. Sai um outro pênalti e eu já tinha batido um. Era o meu sexto gol e me isolaria como o jogador com mais gols em um jogo de Copa do Brasil. Só que o Muriqui tinha acabado de entrar, e ele tinha perdido a posição. Só que ele perde o pênalti. Ganhamos de 7 a 0, mas quando entro no vestiário, a primeira pessoa que vejo é Luxemburgo. E ele me xinga: "Eu vou te ferrar. Você não está entendendo que deixou de fazer história". Eu sem entender, só depois que alguém foi me explicar e aí tive que dar razão a ele" - brincou.
Tropa de Elite
Esse não foi o único momento de muitos gols importantes que Obina fez no Galo. Naquele ano, o Cruzeiro brigava pelo título Brasileiro, e um clássico no meio do caminho foi encarado pelos jogadores do Atlético como uma guerra. Após uma palestra com um ex-militar do Batalhão de Operações Especiais (Bope) do Rio de Janeiro, Obina encarnou um "capitão de Tropa de Elite" e marcou três dos quatro gols do time mineiro na vitória por 4 a 3. Inclusive, a música do filme foi a escolha de Obina nos Gols do Fantástico daquele domingo
- Nesse clássico, a gente a palestra antes, e foi para motivar. Vivíamos um período ruim no campeonato, Cruzeiro brigava pelo título. E aquele jogo era importante para gente. No treinamento, Dorival puxando muito, e eu e Tardelli não acertávamos nada no treino. Mas a gente estava tão concentrado para aquele jogo. A gente sabia que ia fazer um bom jogo. Todo mundo saiu da palestra motivado. Os caras falam que quando o (Paulo) Storani pergunta: "Quem vai ganhar hoje?", aí, segundo Carlos Alberto, eu falei: "A Tropa de Elite". Era para falar "É o Galo" - brincou Obina.
"Quando chega no jogo, eu faço os três gols, e pedi a música Tropa de Elite para simbolizar aquele momento e queríamos ganhar o jogo".
Não voltar para o Galo foi por detalhe. Obina chegou a prometer, quando saiu para a futebol chinês, que voltaria para o time mineiro. A promessa foi feita pelo acolhimento em campo, mas, principalmente, quando machucou e ficou fora por quatro meses.
- Eu falei no aeroporto que queria voltar. Eu sai porque não tinha jeito mesmo. Eu não queria sair. O Kalil também não queria que eu saísse. Eu estava bem e adaptado. Mas os investidores queriam o retorno e tive que ir. Eu queria voltar, mas quando tive a chance, o Galo tinha Ronaldinho Gaúcho, Jô fazendo muitos gols, Alecsandro. Era um time encaixadinho, eu não ia encarar ali. Não ia jogar, aí preferi ficar na minha, e deixar o Galo ser feliz.



