Política
Prisão de dono da Choquei gera 2,8 milhões de interações nas redes
Raphael Sousa Oliveira foi preso durante operação da PF que investiga uma organização criminosa suspeita de lavagem de dinheiro e envolvimento com facções
CRéDITO: KHAUAN WOOD, DA CNN BRASIL
A prisão de Raphael Sousa Oliveira, proprietário da página Choquei, provocou grande repercussão nas redes sociais, alcançando cerca de 2,8 milhões de interações. O dado é de um levantamento divulgado pela Nexus ontem, quinta-feira (16).
Raphael foi detido em Goiânia na última quarta-feira (15), durante a Operação Narco Fluxo, conduzida pela Polícia Federal. A investigação apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de movimentar cerca de R$ 1,6 bilhão provenientes do tráfico de drogas e de apostas ilegais.
Segundo as autoridades, Raphael atuaria como uma espécie de “operador de mídia” do grupo, utilizando o alcance de suas páginas para promover plataformas de apostas ilegais e rifas digitais.
Além dele, também foram presos os cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além do casal de influenciadores Chrys Dias e Débora Paixão.
Alta repercussão nas redes
O estudo aponta que o termo “Choquei” esteve entre os assuntos mais comentados nas redes sociais, chegando ao primeiro lugar no X (antigo Twitter) no dia da prisão. No dia seguinte, permaneceu entre os dez temas mais discutidos.
No total, foram contabilizadas cerca de 2,8 milhões de interações — entre curtidas, comentários e compartilhamentos — nas plataformas X, Instagram e Facebook.
Uma análise de aproximadamente 81 mil menções em português, feitas por cerca de 45 mil usuários, gerou um alcance estimado de 19,6 milhões de impressões e 878 mil interações apenas no X. O pico de conversas ocorreu por volta das 11h do dia 15.
Já no Facebook e Instagram, cerca de 1,1 mil menções somaram mais de 1,9 milhão de interações.
No Google Trends Brasil, o termo “Choquei” registrou mais de 50 mil buscas nas últimas 24 horas, figurando entre os mais pesquisados.
Prisões mantidas pela Justiça
A prisão de Raphael foi mantida após audiência de custódia. De acordo com o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), mais de 30 audiências já foram realizadas no âmbito da operação, e todas resultaram na manutenção das detenções.
Entenda a operação
A Operação Narco Fluxo investiga um esquema que pode ter movimentado até R$ 260 bilhões, segundo estimativas da Polícia Federal. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 1,6 bilhão rastreados pelo Coaf.
O grupo utilizaria um mecanismo chamado de “escudo de conformidade”, no qual influenciadores e artistas ajudariam a dar aparência legal às movimentações financeiras ilícitas.
As investigações também apontam possível ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital). Um dos nomes citados é Frank Magrini, apontado como operador financeiro da facção.
De acordo com a PF, o cantor MC Ryan SP seria o líder do esquema, utilizando empresas para ocultar recursos e transformá-los em bens como imóveis, veículos de luxo e joias.
Durante a operação, foram cumpridos 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão em nove estados e no Distrito Federal. Também foram apreendidos cerca de R$ 20 milhões em veículos de luxo, além de equipamentos eletrônicos e criptomoedas.
O que dizem as defesas
As defesas dos investigados afirmam que ainda não tiveram acesso completo aos autos do processo, que corre sob sigilo, e negam envolvimento em atividades ilícitas.
Nota da defesa de Raphael Sousa Oliveira
A defesa do proprietário da página Choquei divulgou a seguinte nota:
"O advogado Pedro Paulo de Medeiros, responsável pela defesa do proprietário da página Choquei, vem a público se manifestar sobre a audiência de custódia realizada hoje.
A defesa esclarece que o investigado exerce atividade empresarial regular no ambiente digital, sendo responsável por um dos maiores perfis de redes sociais do país. Sua atuação consiste na divulgação de conteúdos e na realização de publicidade para terceiros, mediante contratação, o que configura fonte lícita de renda e prática amplamente difundida no mercado.
No caso em apuração, os valores recebidos pelo investigado estão relacionados a serviços de publicidade prestados a empresas e agentes do setor de marketing. A defesa destaca que o cliente não integra, não gerencia e não possui qualquer participação em eventuais estruturas investigadas, limitando-se a publicar conteúdos que lhe são encaminhados por equipes responsáveis pelas campanhas publicitárias.
Ressalta-se, ainda, que não há elementos que indiquem que o investigado tivesse conhecimento sobre eventual irregularidade nas atividades de terceiros. Sua atuação sempre se deu dentro dos limites de uma atividade empresarial de mídia digital, sem ingerência sobre a origem ou a finalidade dos serviços contratados.
Diante desse cenário, a defesa confia que a Justiça reconhecerá a ausência dos requisitos legais para a manutenção da custódia, permitindo que o investigado responda em liberdade. O advogado reitera o compromisso com o pleno esclarecimento dos fatos e com a colaboração com as autoridades, certo de que a situação será devidamente esclarecida no curso do processo."



