Bebê tem protocolo de morte encefálica aberto e avós são acusados de negligência

Criança de 3 meses deu entrada com fraturas e médicos acionaram a polícia que prendeu os pais

BATANEWS/CGNEWS


Criança de apenas três meses em foto enviada pelo avô materno

Foi aberto protocolo de investigação de morte encefálica para a bebê de três meses internada no sexta-feira no Hospital Regional de Campo Grande, que permanece em estado crítico após dar entrada na unidade com suspeita inicial de espancamento. O pai e a mãe, de 20 e 18 anos, foram presos no sábado, sob suspeita de maus-tratos.

O avô materno, Ewerton Godoy, de 38 anos, informou que vai registrar boletim de ocorrência acusando os avós paternos de possível negligência no cuidado da criança que morada na mesma casa. 'Vou na delegacia agora fazer um boletim de ocorrência contra os avós, eles moravam lá, como não sabiam disso?', questiona.

O caso já é investigado pela Polícia Civil após a equipe médica identificar múltiplas lesões pelo corpo da bebê, consideradas incompatíveis com a versão inicial apresentada pelos responsáveis. Segundo o boletim de ocorrência, também foram apontadas fraturas em costelas, que pode ter provocado hemorragia interna.

Durante o atendimento, a equipe acionou a Polícia Militar e o Conselho Tutelar ao constatar hematomas em diferentes regiões do corpo da criança.

No registro policial, familiares foram ouvidos ainda no hospital. Os pais apresentaram versões consideradas contraditórias pelos investigadores, enquanto parentes próximos relataram histórico recente de lesões sem acompanhamento médico adequado.

Agora, a família materna afirma que pretende formalizar nova ocorrência, desta vez apontando possível negligência por parte dos avós paternos. A suspeita levantada é de que sinais anteriores de agressões ou lesões não teriam sido devidamente comunicados ou investigados, o que poderia ter contribuído para o agravamento do quadro.

A Polícia Civil não confirmou, até o momento, a inclusão de outros familiares como investigados além dos pais da criança. O caso segue em apuração, com análise de laudos do Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol), que devem indicar a origem e a dinâmica das lesões.

O caso

Segundo as informações repassadas à polícia, a criança foi levada à unidade de Saúde por volta das 23h de sexta-feira, com suspeita de broncoaspiração. O relato inicial apontava que a bebê havia sido amamentada e, em seguida, ficou sob os cuidados do pai. Cerca de dez minutos depois, ela teria apresentado coloração arroxeada ao redor da boca, perda de tônus muscular e respiração irregular.

O pai afirmou que tentou estimular a criança com manobras nas costas e, como o quadro persistiu, a família a levou ao hospital por meios próprios. Durante a avaliação médica, no entanto, foram identificadas diversas lesões físicas na bebê, incluindo hematomas, escoriações e inchaços em diferentes partes do corpo.

Para a equipe médica, os sinais levantaram suspeita de agressão física recorrente e possível violência doméstica. Questionado pelos policiais, o pai disse que estava com a criança no colo enquanto assistia a uma partida de futebol quando percebeu que ela estava “mole'.

Sobre os hematomas, afirmou que ele e a mãe da bebê já haviam notado as marcas, mas ainda não tinham procurado atendimento médico. A mãe alegou que as lesões teriam surgido no início do mês e justificou a demora na busca por assistência dizendo que o companheiro viajava a trabalho, o que dificultaria o deslocamento até uma unidade de saúde.

Diante das contradições nos relatos e dos indícios apontados pela equipe médica, o pai foi levado à Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário). Pais e mãe foram presos em flagrante.