Frigoríficos reduzem compras e pressão derruba preços do boi gordo no mercado brasileiro

Com cota chinesa perto do limite e risco de sobretaxa de 55% em julho, indústrias começam a frear abates para exportação, pressionando o mercado físico do boi gordo em diversas regiões do país

BATANEWS/REDAçãO


Foto: Gilson Paulo Costa.

O mercado pecuário brasileiro começou a sentir nesta semana um novo movimento de pressão sobre os preços da arroba. A aproximação do esgotamento da cota anual de exportação de carne bovina para a China vem alterando rapidamente a estratégia dos frigoríficos exportadores, que passaram a reduzir o ritmo das compras de animais destinados ao chamado boi-China, provocando recuos nas cotações em importantes praças pecuárias do país.

A preocupação do setor gira em torno do limite de 1,106 milhão de toneladas estabelecido pela China para importações brasileiras em 2026. Segundo levantamento da Safras & Mercado, o Brasil deve atingir mais de 98% dessa cota já em julho, elevando o temor sobre a incidência automática de uma sobretaxa de 55% sobre novos embarques, fator que vem mudando completamente a dinâmica da indústria frigorífica nas últimas semanas. Clique aqui para seguir o canal do CompreRural no Whatsapp Morre Jess Arisen Moon, garanhão que carregava uma das genéticas mais valiosas do Quarto de Milha mundial Frigoríficos tiram o pé e mercado reage imediatamente

A consultoria Agrifatto aponta que a maior parte dos frigoríficos brasileiros já começou a interromper parte da produção direcionada à China, uma medida preventiva para evitar prejuízos com eventuais embarques que ultrapassem o limite tarifário estabelecido pelos chineses.

“Esse cenário vem mexendo com a estratégia das indústrias e mudando a dinâmica das negociações no mercado físico', destacaram os analistas da Agrifatto ao observar queda nas cotações em 9 das 17 praças pecuárias monitoradas no país.

Na prática, frigoríficos passaram a operar com compras mais cautelosas, ampliando a pressão sobre o pecuarista que possui animais prontos para abate. Em São Paulo, referência nacional do mercado, o boi comum e o animal padrão exportação passaram a ser negociados ao redor de R$ 345 por arroba no prazo. Safras & Mercado alerta para aumento da volatilidade

Na avaliação do analista Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, o esgotamento precoce da cota chinesa vem obrigando frigoríficos a reverem seus planejamentos industriais.

Segundo a consultoria, o cenário gera aumento de ociosidade nas plantas frigoríficas, uma vez que parte da produção antes destinada ao mercado chinês precisará ser redirecionada ou temporariamente desacelerada.

“As indústrias seguem se posicionando no mercado em meio ao esgotamento precoce das cotas de exportação para a China', observou Iglesias.

Nesta terça-feira, as referências levantadas pela consultoria apontaram novas quedas: São Paulo: R$ 342,75/@ Goiás: R$ 321,07/@ Minas Gerais: R$ 320,76/@ Mato Grosso do Sul: R$ 334,32/@ Mato Grosso: R$ 339,59/@ Mercado interno ajuda, mas não substitui a China

Apesar do momento de incerteza, especialistas reforçam que o mercado doméstico brasileiro continua exercendo papel importante na sustentação da cadeia da carne bovina.

A analista Beatriz Bianchi, da Datagro, destaca que o Brasil segue extremamente dependente do mercado chinês, responsável por cerca de 55% de toda carne bovina importada pela China entre janeiro e maio deste ano.

Segundo ela, o desafio não está apenas em encontrar novos destinos para a proteína brasileira, mas principalmente em preservar margens de rentabilidade semelhantes às obtidas nas exportações para o gigante asiático.

“O mercado chinês absorve grandes volumes e oferece um aproveitamento industrial extremamente importante da carcaça bovina brasileira', avaliou a especialista. O que pode acontecer com o boi gordo nas próximas semanas

A leitura do mercado do boi gordo hoje é clara: enquanto persistir a incerteza sobre a continuidade dos embarques para a China sem sobretaxas, frigoríficos tendem a continuar operando de forma mais conservadora.

Do lado do pecuarista, cresce o dilema sobre vender agora ou segurar oferta aguardando uma possível reorganização da demanda.

No curto prazo, o setor acompanha três fatores centrais: possível esgotamento total da cota chinesa até o final de julho; aumento da ociosidade nas plantas frigoríficas exportadoras; comportamento do consumo interno impulsionado pela entrada do segundo semestre e demanda sazonal.

A disputa entre frigoríficos pressionando compras e produtores segurando oferta deve continuar sendo o principal fator de formação de preços nas próximas semanas.

*Escrito por Compre Rural Notícias