A ofensiva de Flávio Bolsonaro nos EUA após desgaste com novo tarifaço

Para colunista de VEJA, pedido do senador para participar de discussão sobre tarifas tem caráter majoritariamente político e pouca relevância técnica

BATANEWS/VEJA


Foto: Divulgação

O pedido do senador Flávio Bolsonaro para participar da audiência pública nos Estados Unidos que discutirá a aplicação de uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros tem menos peso comercial e mais significado político. Essa é a avaliação do editor executivo e colunista de VEJA, Diogo Schelp, durante participação no programa VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal. (este texto é um resumo do vídeo acima)

Nas redes sociais, Flávio afirmou que pretende “defender os interesses do povo brasileiro” diante da ameaça tarifária. No mesmo posicionamento, criticou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e acusou o Planalto de não agir para conter a possível medida americana.

Para Schelp, porém, a movimentação do senador não parece alinhada ao perfil tradicional desse tipo de discussão. “Parece muito político”, afirmou o colunista.

Por que a iniciativa tem pouco peso?

Segundo Schelp, audiências conduzidas pelo escritório do representante de comércio dos Estados Unidos costumam reunir especialistas em comércio exterior, representantes empresariais e técnicos com profundo conhecimento sobre relações comerciais.

O jornalista lembrou que, em audiência semelhante realizada no ano passado, os defensores da posição brasileira eram representantes de entidades como a Confederação Nacional da Indústria e a Confederação da Agricultura, além de especialistas com trajetória diplomática.

Na avaliação do colunista, trata-se de um ambiente essencialmente técnico, marcado por discussões de natureza comercial e diplomática — cenário no qual a presença de um parlamentar foge ao padrão.

O que Flávio tenta corrigir?

Para Schelp, a principal motivação de Flávio Bolsonaro parece ser política: conter o desgaste gerado após seu encontro com Donald Trump em maio.

Segundo o colunista de VEJA, a coincidência entre a reunião e a posterior ameaça de tarifas alimentou a percepção de que o senador poderia ter atuado de forma contrária aos interesses brasileiros.

“Ela parece ter como objetivo limpar a barra”, disse Schelp ao comentar a tentativa de participação do senador na audiência.

Na leitura do jornalista, mais do que influenciar a decisão americana, o gesto de Flávio busca afastar a narrativa de que ele teria contribuído para o avanço das medidas tarifárias contra o Brasil.