Mercado revisa safra de milho após perdas no Brasil Central

Até 30 dias de estiagem afetaram lavouras em Goiás, Minas Gerais e Mapito, enquanto Mato Grosso mantém produção próxima de 55 milhões de toneladas.

BATANEWS/OPR


Foto: Divulgação/Freepik

A falta de chuvas em maio consolidou perdas na segunda safra de milho em parte do Brasil Central, especialmente em Goiás, Minas Gerais e na região do MAPITO. Em contrapartida, o tempo seco favoreceu o avanço da colheita em Mato Grosso, onde as condições climáticas ao longo do ciclo sustentaram um elevado potencial produtivo.

De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, maio marcou a transição para a estação seca no Centro-Sul do país. Em Mato Grosso, a boa distribuição das chuvas durante o desenvolvimento das lavouras permitiu antecipar o início da colheita, com estimativa de produção entre 52 milhões e 55 milhões de toneladas, próximo ao recorde de 55,4 milhões de toneladas registrado na safra 2024/25.

No Paraná e em Mato Grosso do Sul, chuvas pontuais registradas durante o mês contribuíram para a recuperação das lavouras. Já em Goiás, Minas Gerais e no MAPITO, o Boletim de Monitoramento Agrícola da Conab confirmou perdas significativas provocadas pela combinação de plantio fora da janela ideal e períodos de até 30 dias sem precipitações em abril em algumas áreas.

O cenário levou o mercado a revisar para baixo as estimativas da produção da segunda safra de milho. Ainda assim, a expectativa é de um quadro geral de oferta positivo.

Nos Estados Unidos, as condições climáticas favoreceram o andamento do plantio. Até o início de junho, a semeadura da soja alcançou 92% da área prevista, acima dos 89% registrados no mesmo período de 2025 e da média de 88% dos últimos cinco anos. O plantio do milho também avançou em ritmo acelerado.

No Cinturão do Algodão norte-americano, o oeste do Texas enfrentou uma das secas mais severas da história, afetando cerca de 63% da área plantada. Chuvas registradas apenas no fim de maio amenizaram a situação, favorecendo o plantio e as áreas mais afetadas pela estiagem.

Ainda segundo a Consultoria Agro Itaú BBA, o aquecimento das águas do Oceano Pacífico continuou se intensificando em maio, reforçando a possibilidade de instalação do fenômeno El Niño na transição entre o primeiro e o segundo semestre de 2026.