Policial
Ataque com fuzil que matou PM expõe fortalecimento de facções na fronteira
A porosidade entre MS e Bolívia facilita o contrabando de armas de grosso calibre
BATANEWS/CGNEWS
A noite de faroeste em Corumbá, na fronteira com a Bolívia, em que um grupo não conseguiu executar um “arrochador', traficante que rouba carga de droga dos concorrentes, mas matou o policial militar Marcelo Pimenta com tiro de fuzil durante perseguição, mostra que o crime está cada vez mais ousado.
“A gente tem hoje uma situação de ousadia da criminalidade, bem armados e em condições de superar eventualmente em quantitativo numérico e quantidade de armamento as forças de segurança, os criminosos tornaram-se muitíssimo mais ousados', afirma Vinícius Cavalcante, consultor em segurança.
O especialista afirma que, durante anos, a fronteira com a Bolívia também foi uma importante rota para a obtenção de explosivos, como dinamites, e destaca que, mais recentemente, houve um grande fluxo de armamentos militares de origem boliviana que abasteceu grupos criminosos, principalmente no Rio de Janeiro.
“Infelizmente, o que o confronto revela não é nada de novo. A facilidade de obtenção de armamento militar de procedência clandestina pela criminalidade hoje é muito grande, inclusive nas regiões de fronteira, onde eles podem ser contrabandeados com muito mais facilidade', reforça Cavalcante.
Após a morte do policial, circulou vídeo em que um homem, falando em tom de deboche e intimidação, exibe armas de grosso calibre enquanto cita Corumbá, Ladário e a Bolívia. Ele mostra ao menos um fuzil, menciona munição 5.56 e se refere às armas como “brinquedos'. Durante a fala, o criminoso afirma que o grupo estaria armado na região de fronteira e faz ameaças a rivais ou desafetos, dizendo que quem cruzasse o caminho deles seria atacado.
Crime – Na noite de terça-feira (dia 30), um grupo fez disparos contra uma casa em Ladário, que fica ao lado de Corumbá.
As imagens mostram três homens armados descendo de um Fiat Argo branco e disparando diversas vezes contra um imóvel na região do bairro Almirante Tamandaré. No vídeo, é possível ouvir ao menos 13 disparos. Após os tiros, os suspeitos retornam ao veículo e deixam o local. Ao fundo, pessoas que estavam em uma praça próxima correm ao perceber o ataque.
Conforme apurado pela reportagem, o alvo era um ‘’arrochador', que já estava “decretado' pela facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). Na sequência, durante perseguição nas ruas de Corumbá, o policial militar foi morto. Marcelo integrava o Getam (Grupo Especial Tático de Motocicletas).
Um dos suspeitos de envolvimento na morte do soldado morreu em Corumbá. Outro homem foi preso, e um terceiro envolvido segue foragido.
O Campo Grande News questionou a Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública) sobre a capacidade de enfrentamento das forças de segurança na fronteira.
A resposta foi de que Mato Grosso do Sul tem plena capacidade de enfrentamento à criminalidade transfronteiriça. “Não por acaso é o estado que mais apreende drogas no Brasil, servindo como um grande escudo nacional. O Estado tem investido no incremento de pessoal, na qualificação profissional, no reaparelhamento das Forças de Segurança Pública e em tecnologia e inteligência. As polícias do Estado detêm armamentos e equipamento dos mais modernos do mundo'.


