Política
Chegou a hora de separar servidores públicos de profissionais da política
O voto deve valorizar quem serve à população, não quem usa o mandato em benefício próprio
JOSé CâNDIDO
A eleição é o momento mais importante da democracia. É quando o cidadão deixa de ser espectador para assumir o papel de verdadeiro dono do poder. Nas urnas, não está apenas em disputa quem ocupará um cargo público, mas o destino dos recursos arrecadados com o suor dos contribuintes e a qualidade dos serviços que chegam, ou deixam de chegar, à população.
Por isso, o eleitor precisa fazer muito mais do que apertar um número na urna. Precisa fazer um julgamento. É hora de separar quem construiu uma trajetória de trabalho e compromisso de quem transformou a política em profissão, em negócio ou em instrumento de enriquecimento pessoal.
O Brasil já pagou um preço alto demais pela política do oportunismo. Candidatos que aparecem apenas em época de eleição, desaparecem durante o mandato e retornam quatro anos depois com o mesmo discurso, as mesmas promessas e a mesma disposição para conquistar votos. São personagens que pouco conhecem os problemas reais da população, mas dominam a arte da propaganda e do marketing eleitoral.
Também é preciso que o eleitor examine o histórico de quem pede seu voto. A vida pública deixa marcas. Quem exerceu mandato precisa prestar contas do que fez, do que propôs, do que fiscalizou e dos resultados que entregou. A política não pode ser um refúgio para carreiristas nem um caminho para privilégios pessoais. Quem utilizou o cargo para beneficiar interesses particulares ou acumulou patrimônio cercado por dúvidas deve ser cobrado pela sociedade e julgado pelo eleitor.
Mais importante do que discursos inflamados é o compromisso concreto com as causas que afetam o cotidiano das pessoas. Saúde pública eficiente, educação de qualidade, geração de empregos, moradia, saneamento básico, segurança, infraestrutura, proteção ao meio ambiente e combate firme à corrupção são temas que precisam orientar a escolha do eleitor. O representante eleito deve trabalhar para melhorar a vida da comunidade, e não apenas para fortalecer seu próprio projeto político.
O voto não pode ser tratado como mercadoria, favor ou moeda de troca. Quando o eleitor abre mão de escolher com consciência, perde o direito de cobrar depois. Cada voto depositado sem reflexão ajuda a perpetuar práticas que mantêm o país distante da eficiência, da transparência e da justiça social.
As urnas oferecem, a cada eleição, uma oportunidade rara de renovação. Cabe ao eleitor decidir se continuará alimentando um ciclo de oportunismo e interesses particulares ou se exigirá representantes preparados, honestos e comprometidos com o bem comum.
A democracia se fortalece quando o voto é consciente. E a política só muda quando a sociedade decide que determinados comportamentos não merecem mais espaço na vida pública. A verdadeira limpeza começa nas urnas.





