Estudo aponta os melhores exercícios e a dose ideal de atividade física para reduzir gordura no fígado

Revisão da literatura médica destaca papel do movimento diante de condição que pode afetar um terço dos brasileiros. Expert traduz as recomendações

BATANEWS/REDAçãO


Esteatose hepática: condição aumenta risco de cirrose, câncer e até doenças cardiovasculares (Ilustração: VEJA SAÚDE/VEJA)

Não é uma simples gordurinha no fígado. Cada vez mais os médicos comungam da noção de que a esteatose hepática – o acúmulo gorduroso no órgão – é um problema de saúde que pode evoluir para quadros graves, incluindo cirrose e câncer. E o estilo de vida, claro, faz parte do tratamento. Na prescrição, portanto, não pode faltar atividade física.

Mas quais exercícios fazer? E com que frequência? Foi o que pesquisadores chineses buscaram responder por meio de uma análise criteriosa da literatura científica que, no total, abrange dados de 24 estudos envolvendo quase 1 000 pessoas. Um dos objetivos do trabalho foi justamente ajudar médicos e pacientes a terem noções mais claras e precisas de como e quanto vale suar a camisa em prol do fígado.

Exercício como remédio

A atividade física tem efeitos preventivos e terapêuticos diante de praticamente todas as doenças crônicas e prevalentes da atualidade. Com a gordura no fígado não é diferente. Ela pode ajudar a mitigar o depósito gorduroso e a inflamação, fatores que contribuem para a derrocada do órgão e estragos a distância, como a maior propensão a problemas cardiovasculares.

No estudo pilotado pela Universidade Central do Sul, na China, publicado no periódico Journal of Sport and Health Science, os cientistas chegaram à conclusão de que a melhor escolha para combater a esteatose hepática seria combinar atividade aeróbica (corrida, caminhada, natação…) com exercícios de força e resistência (como musculação). Juntos, eles teriam efeitos sinérgicos e protetores, segundo os autores.

A dose ideal

Mas a revisão chinesa deu um passo além e calculou a “dose ideal” de exercícios físicos para se obter benefícios. E aí precisamos pedir socorro aos especialistas para traduzir as recomendações.

Isso porque a análise é baseada numa métrica de intensidade dos exercícios denominada MET (do inglês metabolic equivalent of task), que significa “equivalente metabólico de tarefa”. “Esse conceito se refere a uma unidade de medida universal aplicada a diversos tipos de atividade física e utilizada para calcular a intensidade dos exercícios em trabalhos científicos”, explica o educador físico Diego Leite de Barros, especialista em fisiologia e diretor da DLB Assessoria Esportiva.

Dessa forma, o MET ajuda a definir orientações mínimas e máximas de esforço e inclusive determinar metas individuais, de acordo com o peso e os objetivos do treino.

No estudo chinês, voltado aos efeitos da atividade física para redução da gordura no fígado, o benefício mínimo foi atingido com 460 MET/ minuto, a dose ideal ficou por volta de 630 MET/ minuto e o benefício próximo ao máximo, ao redor de 850 MET/ minuto.

Mas o que esses números significam na prática? Barros simplifica nossa vida.

“Se a gente transpor esses resultados para a caminhada ou a corrida, as modalidades mais simples e acessíveis, chegamos à recomendação de benefício mínimo com caminhada rápida de 20 minutos cinco vezes por semana ou corrida leve de 30 minutos duas vezes por semana”, traduz o expert. “E a melhor relação entre benefício e esforço seria atingida com a caminhada rápida meia hora por dia, cinco vezes na semana, ou a corrida leve 30 minutos por dia, três vezes por semana.”

O especialista montou uma tabela que permite entender as recomendações da pesquisa de forma mais fácil:

Benefício mínimo – 460 MET/ min Caminhada rápida de 20 minutos – 5 x semana Corrida leve de 30 minutos – 2 x semana

Melhor relação entre benefício e esforço – 630 MET/ min Caminhada rápida de 30 minutos – 5 x semana Corrida leve de 30 minutos – 3 x semana

Benefício próximo ao máximo – 850 MET/ min Caminhada rápida de 40 minutos – 5 x semana Corrida leve de 30 minutos – 4 x semana

Com essas referências, já dá para montar o treino – de preferência intercalando corrida ou caminhada com exercícios de força – e, assim, resguardar o fígado de apuros.