Policial
Justiça mantém prisão de filha de pastores envolvida com líder de facção em Mato Grosso
Ela e os pais atuavam como missionários em um projeto religioso de uma igreja evangélica e se aproveitavam da função para ingressar nas penitenciárias do Estado e fortalecer a atuação da facção fora da unidade.
BATANEWS/REPóRTERMT
O juiz Cássio Leite de Barros Netto, do Núcleo do Juízo das Garantias, manteve a prisão de Rhavenna Barcelos de Almeida, de 24 anos, detida durante o cumprimento de mandados da Operação Fariseus, deflagrada pela Polícia Civil na manhã de hoje (16), em Cuiabá. Conforme as investigações, ela mantinha um relacionamento íntimo com o líder de uma facção criminosa com forte atuação em Mato Grosso.
De acordo com a Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), Rhavenna e os pais, Nivaldo de Almeida e Orminda Carlos de Barcelos Almeida, ambos pastores, atuavam como missionários em um projeto religioso de uma igreja evangélica e se aproveitavam da função para ingressar nas penitenciárias do Estado, fortalecendo a comunicação da facção, a entrega de objetos e a lavagem de dinheiro. O casal também foi alvo da operação, mas não foi preso.
Ao todo, a Polícia Civil cumpriu 27 ordens judiciais, entre elas um mandado de prisão preventiva, expedido contra Rhavenna, e quatro mandados de busca e apreensão domiciliar. Também foram determinadas a quebra dos sigilos telefônico, telemático e bancário dos investigados, além da suspensão temporária do ingresso deles em unidades prisionais por meio de projetos religiosos.
Montagem / Repórter MT
Os pastores Nivaldo de Almeida e Orminda Carlos de Barcelos Almeida foram identificados como mentores da infiltração religiosa nas celas. A filha do casal, Rhavenna Barcelos Almeida, foi presa.
Segundo a Draco, os investigados utilizavam o projeto religioso para oferecer assistência espiritual aos presos, mas se aproveitavam desse acesso para prestar suporte operacional e facilitar a comunicação da facção criminosa. Conforme a investigação, o grupo extrapolava a finalidade da atividade religiosa e utilizava o acesso ao sistema prisional para favorecer a aproximação, o apoio e o fortalecimento de lideranças da organização criminosa presas ou foragidas da Justiça.
Os investigados respondem pelos crimes de integrar organização criminosa, corrupção de menor, tortura e lavagem de dinheiro, em razão do recebimento de valores e da dissimulação da origem dos recursos por meio de triangulação financeira.
Desdobramento
As investigações tiveram início após uma denúncia anônima informar que integrantes de uma mesma família utilizavam um projeto religioso para ingressar na Penitenciária Central do Estado (PCE) e, supostamente, entregar celulares, carregadores e outros objetos ilícitos a lideranças custodiadas no raio de segurança máxima.
Embora a entrega de celulares no interior da unidade prisional ainda não tenha sido comprovada, a análise de dados telemáticos, autorizada pela Justiça, revelou um conjunto expressivo de fotografias, vídeos, conversas e registros financeiros que demonstram que a relação dos investigados com presos, foragidos e integrantes da facção extrapolava a assistência religiosa.
Também foram identificadas conversas telefônicas com presos, intermediação de recados entre internos e pessoas em liberdade, contatos frequentes com conselheiros da facção presos e foragidos, além da circulação de informações relacionadas ao ambiente prisional.
Leia mais - Pastores fingiam ser de projeto social para levar celulares à PCE, fazer empréstimos e encomendar tortura
A investigação apontou ainda que integrantes do núcleo familiar recebiam valores atribuídos a presos e lideranças da organização criminosa, utilizando contas de familiares e de terceiros para realizar fracionamento de valores, triangulação financeira, depósitos em espécie e sucessivos repasses.
Há ainda indícios de custeio de viagens, procedimentos estéticos e aquisição de veículos em benefício de integrantes do grupo, evidenciando, em tese, a prática de lavagem de dinheiro por meio da ocultação da origem e da destinação dos recursos.
Outro eixo da investigação envolve viagens frequentes a uma comunidade do Rio de Janeiro. Integrantes do grupo estiveram na residência utilizada por um criminoso foragido, localizada em área dominada por uma facção, onde foram produzidos registros fotográficos e audiovisuais em meio a fuzis, pistolas, revólveres, carabinas e rádios comunicadores, alguns personalizados com referências à organização criminosa.
As imagens mostram evangelistas ao lado de lideranças da facção, foragidos da Justiça e pessoas responsáveis pela segurança armada dos líderes. Também foram encontrados registros de crianças portando armamentos personalizados e fotografias dos próprios investigados manuseando diferentes armas de fogo.





