Política
Ausências na convenção de Caiado revelam pragmatismo eleitoral
Eduardo Paes, Raquel Lyra e Mateus Simões, apesar de filiados ao PSD, apoiam outros candidatos à Presidência; governador Tarcísio também não deve comparecer
BATANEWS/VEJA
A convenção do PSD que vai ratificar neste domingo, 26, o nome do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado como candidato à Presidência será marcada por simbolismos e ausências evidentes em um movimento que reflete pragmatismo político e a preferência dos partidos pela formação de grandes bancadas na futura composição da Câmara dos Deputados.
Entre importantes correligionários de Caiado ausentes na convenção estão a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, e o prefeito do Rio Eduardo Paes, que apoiam o presidente Lula nas eleições de outubro, e o vice-governador de Minas Gerais Mateus Simões, que prefere Romeu Zema (Novo).
Governador do maior colégio eleitoral do país, Tarcísio de Freitas, do Republicanos, já teve o presidente do PSD Gilberto Kassab como secretário de governo, mas também não pretende comparecer à convenção da sigla para não bater de frente com o senador Flávio Bolsonaro, presidenciável e concorrente de Caiado na busca pelos votos da direita.
A decisão de Kassab de liberar os filiados a apoiarem o nome que considerarem mais conveniente reflete uma mudança no modo de se enxergar as campanhas eleitorais. “Nós estamos montando a campanha do Caiado com muita sensibilidade para saber como ficam esses projetos locais”, disse no início do mês quando foi anunciado como futuro vice na chapa do ex-governador de Goiás.
No passado recente, escolher o presidenciável com chances reais de vitória era fundamental para candidatos à reeleição e aspirantes a vagas no parlamento porque dava a eles palanques robustos e a perspectiva de ocuparem cargos importantes na base aliada no governo eleito. Mas o financiamento público de campanhas (quase 5 bilhões de reais este ano) e as emendas parlamentares impositivas (61 bilhões de reais reservados para 2026) mudaram o jogo.
Grandes partidos como o MDB, o PP e o União Brasil, por exemplo, pretendem se manter neutros na disputa presidencial e focar na eleição de deputados federais, critério utilizado pela Justiça Eleitoral para definir a fatia a que cada legenda terá direito de financiamento público no futuro.
Por causa da representação que têm no Congresso, o PL de Flávio Bolsonaro terá 881 milhões de reais à disposição para financiar as campanhas de seus candidatos; o PT de Lula, 615 milhões de reais; e o PSD de Caiado, 421 milhões. Para o amontoado de partidos que formam a política brasileira, a mina de ouro está mesmo na eleição para os 513 deputados federais. Lula, Flávio e Caiado podem esperar.




