PT pede que PGR apure Bolsonaro em IA e presença de Milei ao lado de Flávio

Caberá ao Ministério Público avaliar eventuais crimes eleitorais praticados na convenção que confirmou primogênito do ex-presidente como candidato ao Planalto

BATANEWS/VEJA


O presidente da Argentina, Javier Milei, e o senador Flávio Bolsonaro durante encontro (Reprodução/Reprodução)

Em mais um capítulo da refrega política entre PT e PL, deputados petistas anunciaram neste domingo, 26, que acionaram a Procuradoria-Geral da República com um pedido de apuração de supostas ilegalidades cometidas na convenção que sacramentou o nome do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Os principais pontos de contestação de parlamentares como Lindbergh Farias (PT-RJ) são a presença do presidente da Argentina Javier Milei, que fez um discurso recheado de ataques ao presidente Lula e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, e o uso de inteligência artificial para simular a presença de Jair Bolsonaro no ato político.

“Acabamos de entrar na PGR contra Flávio Bolsonaro pelos vários crimes que ele cometeu ontem na Convenção do PL. Usou Bolsonaro por IA e Milei pediu voto pra ele, o que é proibido por nossa legislação eleitoral. O crime mais grave é o pedido para que Trump e os EUA interfiram nas nossas eleições. São traidores da Pátria”, escreveu Lindbergh em uma rede social.

A presença de Milei no palco ao lado de Flávio Bolsonaro gerou desdobramentos relevantes no campo diplomático neste domingo. O governo Lula chamou para consultas o embaixador brasileiro em Buenos Aires Júlio Bitelli depois que Milei afirmou que “somente Flávio pode parar Lula” e atacou o ministro Moraes, a quem chamou de “lixo”. “O lixo não me permitiu visitar ao meu amigo injustamente encarcerado, quando eu sei que Lula se cansou de receber líderes do exterior quando estava preso, entre eles o nefasto ex-presidente argentino Alberto Fernández”, disse o argentino. Por determinação do magistrado tido como algoz do bolsonarismo, o ex-presidente, em regime de prisão domiciliar, etá impedido de receber visitas de cunho político, como seria o caso do chefe da Casa Rosada.

Nos pedidos do PT encaminhados à PGR, os deputados do partido afirmam ser preciso apurar se a presença do presidente argentino na convenção do PL viola a legislação eleitoral. Isso porque Milei endossou a candidatura de Flávio e atacou Lula e o STF, o que, em tese, poderia ser enquadrado na proibição de “participação de estrangeiro em ato partidário e de propaganda”. “Não se tratou, portanto, de saudação protocolar nem de gesto de cortesia entre nações: o Chefe de Estado estrangeiro subiu ao palanque de convenção partidária brasileira para fazer campanha, pedir votos para um candidato, desqualificar o candidato adversário e atacar decisão da mais alta Corte do país”, afirmou Lindbergh Farias.

Preso e impedido de utilizar redes sociais ou telefones celulares, Jair Bolsonaro participou da convenção com discurso e imagem criados com técnicas de inteligência artificial. Uma carta manuscrita pelo ex-presidente e lida pelo filho Flávio em uma transmissão nas redes sociais nas últimas semanas já havia levado ao endurecimento das restrições impostas pelo STF ao antigo mandatário.  O PT argumenta, no entanto, que o uso de IA pode levar eleitores a erro e desequilibrar a disputa presidencial de outubro.