Política
Eleitores veem medo e fraqueza em candidatos que fogem de debate
Debate é importante para seis em cada dez eleitores e ausência deliberada deixa péssima impressão
BATANEWS/VEJA
Lula e Flávio Bolsonaro têm vazado a pretensão de evitar debates no primeiro turno. É legítimo, mas também sugere um flerte com a arrogância.
Eles concentram 70% das intenções de votos declaradas por eleitores que já sabem em quem devem votar. Essa fatia do eleitorado controla cerca de 75 milhões de votos.
A maioria é dona de outros 80 milhões de votos e ainda não escolheu em quem vai votar, indicam pesquisas como a da Quaest/Genial feita no final de julho.
Debate é importante para seis em cada dez eleitores, mostra outra pesquisa feita na semana passada (5 a 9/8) pela MDA/CNT. É relevante porque (para 39,5%) permite conhecer não somente os candidatos como, principalmente, as suas propostas.
É “boa oportunidade”, diz outro grupo (21,7%) de eleitores, “de ver as reações dos candidatos quando confrontados”.
Parcela expressiva (31,9%) acha que os debates eleitorais “são ruins” porque, frequentemente, acabam em embates pessoais. Alguns (11,7%) culpam o “formato desgastado” desses encontros pelo que consideram bloqueio da discussão de temas com alguma profundidade.
Minoria (25,1%) admite que deixa de votar num candidato já escolhido se ele refugar e não comparecer ao confronto eleitoral.
Mas a ausência deliberada deixa péssima impressão. Seis em cada dez eleitores desconfiam de quem foge do debate. Uma parcela (26,5%) supõe ser “estratégia de campanha”.
Demonstra fraqueza (para 24,1%), no sentido de que “não está preparado(a) para lidar com pressão”. Mostra (20,4%) que “tem medo e não sabe lidar com opiniões divergentes”. Ou ainda (17,8%) que “está com receio de ser exposto a polêmicas”.
Lula e Flávio Bolsonaro podem achar que vale o risco de fuga de debates, considerando o potencial de intenções votos que reúnem.
Seria o argumento certo para justificar a manobra não fosse um outro conjunto estatístico que reluz nas planilhas do marketing de campanha: há mais de sete meses ambos são rejeitados por metade do eleitorado na quase unanimidade das pesquisas.





