Saúde
Cientistas descobrem como excesso de peso pode alimentar o Alzheimer
Pesquisadores investigaram molécula presente em gordura e acompanharam seus impactos nas células cerebrais; entenda
BATANEWS/VEJA
Há um elo estabelecido entre doenças metabólicas, como a obesidade, e o Alzheimer. O mistério é como o peso excessivo alimenta o principal tipo de demência que atinge os idosos. Um novo estudo de pesquisadores do Houston Methodist, nos Estados Unidos, saiu da investigação das estruturas cerebrais e encontrou uma molécula presente na gordura que atua como um elemento que prejudica as células do cérebro.
O foco do estudo foi em um tipo específico de molécula de gordura, as fosfatidiletanolaminas (PEs), quando há um estado de desequilíbrio. Para isso, avaliaram amostras de tecido adiposo e sangue de seis pacientes com diagnóstico de obesidade que tinham sido submetidos a cirurgias abdominais e o controle com seis pessoas dentro do peso adequado.
O grupo identificou que ocorre um aumento dessa molécula em pessoas que vivem com obesidade.
No tecido corporal, as PEs acabam encapsuladas em partículas muito pequenas e são levadas até o cérebro, onde desestabilizam o funcionamento do órgão e favorecem processos ligados à doença de Alzheimer.
Ao acompanhar os impactos no cérebro, os pesquisadores observaram que essas partículas provenientes da gordura interromperam a comunicação entre os neurônios, enfraqueceram as defesas imunológicas e favoreceram o acúmulo da proteína beta-amiloide, estrutura apontada como a principal responsável pelos danos cerebrais característicos da doença.
“A obesidade pode alterar a forma como os sinais chegam ao cérebro”, disse, em comunicado, Stephen Wong, um dos autores do estudo publicado na revista científica Molecular Neurodegeneration.
Obesidade e Alzheimer
O estudo levou em consideração um dado sobre os impactos da obesidade na meia-idade, aquela faixa entre os 40 e 60 anos, para o Alzheimer na população mais afetada pela doença.
“Notavelmente, a obesidade na meia-idade em mulheres está associada a um aumento de 39% no risco de desenvolver demência em comparação com mulheres não obesas da mesma idade”, escreveram os autores.
Com as duas condições em alta na população mundial, o estudo oferece um caminho para tentar desenhar uma nova abordagem no tratamento, principalmente do Alzheimer.
“A boa notícia é que isso pode ser algo que podemos tratar. Em vez de encarar o risco de Alzheimer associado à obesidade apenas como um problema metabólico, esta pesquisa sugere que podemos ser capazes de atacar o processo que conecta essas alterações ao cérebro”, afirma Wong.





