Política
O erro que Lula cometeu apesar de todos os alertas e que agora virou problema na Justiça Eleitoral
Decisão volta ao centro do debate com a evolução do caso no TSE
BATANEWS/VEJA
O desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na Marquês de Sapucaí, que já havia sido alvo de alertas sobre os riscos do uso de dinheiro público em uma ação de exaltação ao chefe do Executivo, agora se transformou em uma questão para a Justiça Eleitoral. No VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal, o editor de política de VEJA, José Benedito da Silva, classificou o episódio como “um dos grandes erros da pré-campanha do Lula” e afirmou que o presidente insistiu em uma decisão que já vinha sendo questionada antes mesmo de o desfile acontecer. (este texto é um resumo do vídeo acima)
Quais alertas foram ignorados?
Segundo José Benedito, havia advertências de que a homenagem poderia produzir consequências eleitorais. A própria revista VEJA abordou o assunto, destacando o uso de dinheiro público e o precedente que a iniciativa poderia abrir para uma contestação na Justiça Eleitoral. Na avaliação do editor, portanto, não se tratava de um risco desconhecido pelo governo.
“Foi um erro que Lula cometeu, o Lula e alguns aliados mais próximos cometeram, apesar de todos os alertas que foram feitos”, afirmou. Segundo ele, havia pessoas acompanhando o caso e alertando que a iniciativa poderia resultar em problemas.
O governo chegou a reduzir a exposição de Lula no desfile?
José Benedito lembrou que a participação inicialmente cogitada para integrantes do governo acabou sendo reduzida. Havia a possibilidade de a primeira-dama, Janja da Silva, desfilar em um dos carros alegóricos, além da presença de ministros no camarote ao lado de Lula. Essas participações, porém, foram retiradas, e Lula acabou sendo o único integrante do governo a comparecer ao desfile.
Para o editor de política de VEJA, mesmo com a redução da exposição, o presidente ainda assumiu riscos políticos. Entre eles estava a possibilidade de ser vaiado no Sambódromo ou de a escola de samba ser rebaixada. “Imagina um presidente que está buscando a reeleição tomar uma vaia homérica no Sambódromo”, afirmou.
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José Benedito também destacou que a escola de samba acabou sendo rebaixada, cenário que, segundo ele, poderia ser explorado politicamente durante a campanha. Na avaliação do editor, o episódio não apresentava um ganho eleitoral evidente que justificasse os riscos assumidos.
Qual é o risco jurídico para Lula?
Na avaliação de José Benedito, o principal problema provocado pelo episódio não está necessariamente no desgaste de imagem, que ele considera pequeno, mas nas possíveis consequências jurídicas. Segundo ele, a decisão do tribunal de aceitar a denúncia faz com que o caso avance para uma discussão na Justiça Eleitoral.
“Se o TSE aceitou a denúncia, isso vai virar um processo no TSE, vai ter sua tramitação normal”, afirmou. O editor ressaltou que o processo deverá seguir seu curso, com a apresentação das respectivas defesas, mas chamou atenção para a possibilidade de enquadramento por crime eleitoral.
Por que o dinheiro público aumenta o risco?
Para José Benedito, o ponto central está na combinação entre a homenagem pessoal a Lula e a utilização de recursos públicos no financiamento do Carnaval. Ele reconheceu que outras escolas também receberam dinheiro público, mas afirmou que isso não elimina o problema específico de uma entidade promover uma exaltação ao governante que está no poder.
“Não importa que outras escolas receberam o mesmo valor”, afirmou. Segundo ele, uma escola de samba não deveria utilizar recursos públicos para promover uma espécie de “bajulação” à figura e à trajetória política do governante de plantão.
O episódio pode ter consequências eleitorais mais graves?
José Benedito afirmou que, caso o episódio seja enquadrado como crime eleitoral, poderá haver consequências para a candidatura de Lula. Entre os riscos mencionados estão a cassação do registro e outras sanções relacionadas à disputa eleitoral.
“Foi um erro tremendo”, resumiu o editor de política de VEJA.





