Policial
Ocupação em fazenda termina com cinco presos e focos de incêndio
Polícia usou balas de borracha e encontrou galão com suposta gasolina ligada a grupo indígena
BATANEWS/CGNEWS
Cinco indígenas foram presos durante um novo confronto com policiais militares em uma propriedade rural de Dourados, a 251 quilômetros de Campo Grande, na noite desta quarta-feira (19). A ocorrência envolveu focos de incêndio, uso de munição de impacto controlado e agressões contra policiais, segundo a versão registrada pela PM (Polícia Militar). Os detidos são Jaciele Gonçalves, de 27 anos, Maila Brites, de 32, Rizziele Chimenes Gauto, de 19, Sergio Gauto, de 47, e Lucila Chimenes, de 33.
Conforme boletim de ocorrência obtido pela reportagem, a ação se relaciona à ocorrência de invasão de propriedade, lesão corporal, incêndio, resistência e tentativa de esbulho possessório. O confronto ocorreu em uma propriedade rural na região de conflito envolvendo a Terra Indígena Aratikuty.
Conforme a PM, equipes receberam pedido de apoio por volta das 17h30 porque policiais do Policiamento Comunitário Indígena teriam sido atacados e feridos. Força Tática e Getam (Grupamento Especial Tático de Motos) seguiram para a área e encontraram vários pontos em chamas.
Durante a aproximação, segundo o registro, o grupo lançou pedras contra os policiais. Os militares utilizaram munição de impacto controlado, que atingiu dois indígenas, e avançaram para conter os envolvidos.
A PM relata que houve agressões com barra de ferro, pedaços de madeira e pedras durante a abordagem. Outros integrantes do grupo teriam usado estilingues para lançar pedras e fugido em direção à mata, sem serem localizados.
Dentro de uma das barracas, os policiais apreenderam uma faca e um galão com substância semelhante a gasolina. Também foram recolhidos uma barra de ferro e pedaços de madeira, incluindo um deles envolvido em arame farpado.
O boletim, no entanto, não aponta de forma conclusiva quem iniciou o incêndio. O documento registra que os policiais encontraram vários pontos em chamas ao chegar à propriedade e relaciona os cinco detidos ao incêndio, com alguns deles classificados como suspeitos.
A ocorrência aconteceu horas depois de outro episódio de tensão na mesma região. Pela manhã, uma escavadeira contratada pela proprietária da Fazenda Gleba Uirapuru abriu uma valeta entre a área rural e a Aldeia Bororó para tentar impedir novas ocupações.
A Aty Guasu, movimento que representa indígenas guarani-kaiowá, contesta a versão policial e afirma que a comunidade sofreu um ataque. A organização divulgou vídeos em que indígenas atribuem os focos de incêndio às bombas lançadas durante a ação da polícia.
'Não podemos aceitar que a luta pelo direito de viver no próprio território continue sendo respondida com violência', diz a entidade.





