Saúde
Como convencer seus pais a fazer atividade física
BATANEWS/FOLHA
Nunca falamos tanto sobre os benefícios da atividade física, que as evidências científicas apontam como um dos pilares mais importantes para envelhecer com saúde e autonomia. Mesmo assim, muitos filhos acompanham os pais envelhecer negligenciando o valor desse hábito, o que traz preocupação e angústia. Como ajudá-los nesse sentido sem adotar uma postura autoritária ou invasiva?
Antes de mais nada, pode ser uma boa ideia conversar com os seus pais a respeito das descobertas mais recentes sobre a importância de se movimentar, com ênfase nos exercícios de força. Quando praticada com disciplina e persistência, a musculação ajuda a frear a perda acelerada de massa muscular que vem com a idade, a chamada sarcopenia.
Estar com a musculação em dia não só é recomendável para evitar problemas de saúde, mas também para superar doenças, internações e acidentes. Um estudo britânico revelou que pacientes em estado crítico podem perder mais de 15% da massa muscular em uma semana, o que pode ter efeitos prejudiciais a longo prazo. Isso porque nosso corpo consome rapidamente a proteína ali disponível para se recuperar do trauma. Nesse contexto, dispor de uma 'reserva' muscular é, literalmente, questão de sobrevivência.
Se dados científicos relativos a questões graves de saúde soarem como algo distante, uma alternativa é ilustrar como a musculação impacta diretamente o dia a dia. Fortalecer o corpo pode significar ter mais energia e disposição, sentir menos dores nas articulações e manter a autonomia para subir escadas, carregar compras, levantar da cadeira ou simplesmente caminhar com mais segurança.
A prática regular também ajuda a reduzir o risco de quedas, além de contribuir para a prevenção e o controle de doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e osteoporose. No fim das contas, tudo isso ajuda a preservar a independência para realizar as tarefas que fazem parte do cotidiano e também as que dão prazer: viajar, ir à praia, dançar, etc.
Se, mesmo com a lista longa de benefícios, continua difícil convencê-los a se matricular em uma academia, vale tentar começar por algo mais simples e que não requer equipamentos. Flexão, agachamento e elevação de panturrilhas, por exemplo, são movimentos que ajudam a proteger as articulações, melhoram o equilíbrio e ainda têm versões adaptadas a vários níveis de condicionamento físico. Já para a parte aeróbica, uma boa caminhada já pode trazer ganhos significativos. Um relatório publicado no The British Journal of Sports Medicine concluiu que andar 11 minutos por dia reduz os riscos de desenvolver doenças cardíacas, vários tipos de câncer e a mortalidade em geral.
Além das vantagens físicas, se comprometer com um cotidiano mais ativo também favorece a manutenção de uma vida social movimentada: a academia, a praça ou o parque podem ser espaços para conhecer pessoas, conversar com gente diferente e ter compromissos fora de casa. Isso é especialmente valioso para os mais velhos, que veem seu círculo social diminuir com o passar dos anos. Aliar as duas coisas é benéfico para o corpo e a mente.
Um estudo publicado em 2025 mostrou que a musculação também protege o cérebro de idosos ao preservar áreas como o hipocampo e o pré-cúneo, que costumam ser afetadas em diagnósticos relacionados a demências. Na pesquisa, os participantes ativos na academia apresentaram melhora consistente da memória e da estrutura cerebral. Parte deles chegou ao fim do acompanhamento sem sequer desenvolver comprometimento cognitivo leve.
Se nem para os mais jovens encarar a academia pela primeira vez é uma tarefa simples, imagine para alguém que já tem mais idade e se exercitou pouco durante a vida. Por mais frustrante que seja observar a resistência dos pais a aderir ao exercício físico, a paciência precisa estar sempre em cena —pressionar demais pode gerar o efeito contrário.
Um dos jeitos mais eficazes de incentivar quem você ama a se manter em atividade é partilhar as etapas do processo. Que tal convidá-los para conhecer a academia do bairro, apresentar os profissionais, mostrar as aulas disponíveis? Às vezes, o que falta não é vontade, mas familiaridade, segurança e alguém para ir junto. Ter companhia ajuda a criar o hábito, diminui a insegurança e transforma o exercício em tempo de convivência.





