Brasil e Estados Unidos retomam diálogo sobre tarifas, segurança e conflitos internacionais

Em conversa por telefone, os presidentes discutiram a retomada das negociações comerciais, cooperação contra o crime organizado e saídas diplomáticas para guerras no exterior.Compartilhe: Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp Compartilhar no LinkedIn(abre em nova janela) LinkedIn Compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram

BATANEWS/OPR


Imagem criada por Jaqueline Galvão/OP Rural/ChatGPT

Brasil e Estados Unidos retomaram nesta sexta-feira (21) as tratativas sobre as relações comerciais entre os dois países. Em uma conversa por telefone, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump discutiram as tarifas impostas por Washington a produtos brasileiros, medidas de cooperação contra o crime organizado e os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio.

Segundo o governo brasileiro, a conversa foi cordial. O presidente brasileiro contestou os argumentos apresentados pelos Estados Unidos para justificar as novas tarifas e afirmou que as medidas prejudicam as economias dos dois países.

Entre as justificativas apresentadas pelo governo norte-americano estão questões relacionadas ao desmatamento, acordos preferenciais de comércio, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos associados ao trabalho forçado.

Durante a conversa, os dois presidentes defenderam a retomada do diálogo comercial. Trump, segundo o governo brasileiro, concordou com a importância de preservar os vínculos comerciais entre os países e propôs que as equipes diplomáticas voltem a trabalhar nas negociações.

A segurança também entrou na pauta. O governo brasileiro defendeu maior cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado e apresentou medidas adotadas no país para atingir financeiramente essas organizações.

Segundo os dados apresentados na conversa, ações de asfixia financeira já resultaram na apreensão de cerca de R$ 17 bilhões. Também foram citadas a Lei Antifacção e a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus.

Na conversa, o governo brasileiro reforçou a distinção entre organizações criminosas e grupos terroristas. A avaliação apresentada foi de que as facções exercem violência sobre a população, especialmente nas áreas mais vulneráveis, mas não devem ser classificadas como organizações terroristas.

Trump manifestou disposição para ampliar a cooperação bilateral e informou que deverá indicar funcionários de alto escalão para dar continuidade às negociações entre os dois governos.

Os presidentes também discutiram os conflitos internacionais, com destaque para a guerra entre Rússia e Ucrânia e a situação no Oriente Médio.

Sobre a Ucrânia, os dois lados defenderam a busca por uma solução negociada para o conflito, que se aproxima de cinco anos. Trump também apresentou sua avaliação sobre as perspectivas de negociação envolvendo o conflito com o Irã.

Durante a conversa, o governo brasileiro voltou a criticar a dificuldade do Conselho de Segurança das Nações Unidas em atuar diante dos conflitos internacionais. Como alternativa, foi sugerida a convocação de uma reunião extraordinária do órgão para discutir possibilidades de saída diplomática. “Os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos', afirmou Lula durante a conversa.