Apreensão de canetas emagrecedoras cresce mais de 20 vezes no primeiro semestre

BATANEWS/FOLHA


Agentes da Receita Federal precisaram desmontar acabamento interno de veículo para encontrar as canetas emagrecedoras - Divulgação - 03.jul.2026/Receita Federal

O valor das apreensões de canetas emagrecedoras pela Receita Federal saltou de R$ 4 milhões para mais de R$ 80 milhões no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. O valor é mais de 20 vezes superior ao registrado entre janeiro e junho de 2025.

O avanço ocorre em meio ao crescimento da entrada irregular desses medicamentos no país que não têm autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para serem comercializados no Brasil. Não foi informado, porém, a quantas unidades de canetas emagrecedoras corresponde esse valor.

Os dados foram apresentados durante o seminário Mercado Ilegal, realizado em Brasília por O Globo, Valor Econômico, Extra e CBN.

Segundo Erivelto Moysés Torrico Alencar, superintendente regional adjunto da 1ª Região Fiscal da Receita Federal, a entrada desses medicamentos no país está condicionada às regras da Anvisa. Produtos sem registro ou cuja comercialização não é autorizada pela agência não podem ingressar legalmente no território nacional.

'A concorrência desleal é prejudicial ao empresário, é prejudicial à economia, é prejudicial à sociedade, que muitas vezes adquire um produto sem qualidade alguma, sem segurança alguma, sem estar de acordo com as normas regulamentares dos órgãos competentes', afirmou.

A Receita também identificou uma expansão da oferta irregular desses produtos no ambiente digital. As canetas são encontradas com facilidade em plataformas de marketplace, inclusive em anúncios feitos por vendedores não autorizados.

Para ele, a dimensão desse comércio evidencia falhas no controle exercido pelas plataformas sobre vendedores e produtos anunciados.

Reportagem da Folha já mostrou que canetas emagrecedoras vendidas no Paraguai são amplamente procuradas por brasileiros. Em Foz do Iguaçu, as apreensões dispararam: entre maio de 2025 —quando entrou em vigor o veto à entrada desses produtos no país— e dezembro, foram retidas 7.479 unidades de ampolas e canetas. Em 2026, o número já chega a 71.860 unidades, alta de 860,8%.

Em paralelo ao avanço do mercado irregular, Brasil e Paraguai ampliaram a cooperação para combater a circulação ilegal desses produtos. A Anvisa e a Dinavisa, autoridade sanitária paraguaia, assinaram acordo que prevê troca de informações, compartilhamento de resultados de testes laboratoriais, apoio a ações de fiscalização nas regiões de fronteira e cooperação contra falsificações e contrabando.

Apesar do avanço do mercado ilegal, também tem crescido o número de canetas emagrecedoras regularizadas no Brasil. A ampliação da oferta de medicamentos autorizados é vista como um fator que pode aumentar a concorrência e contribuir para a redução dos preços.

Em julho, a Anvisa aprovou cinco novas canetas de semaglutida — Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy e Orsema. A agência também concedeu os primeiros registros de medicamentos genéricos à base da substância.

Para acelerar a análise dos pedidos, a Anvisa adotou um modelo de avaliação otimizada, em que equipes técnicas examinam simultaneamente diferentes solicitações de registro.

Segundo o presidente da agência, Leandro Safatle, o Brasil possui atualmente o maior número de canetas emagrecedoras regularizadas entre as principais agências reguladoras internacionais.