O cálculo de Lula, PT e STF sobre impeachment e investigação de Moraes por relação com Vorcaro

Revelações elevam a pressão sobre o Supremo e já interferem na estratégia do governo e do PT diante do risco de desgaste eleitoral

BATANEWS/VEJA


A divulgação de mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro e relacionadas ao ministro Alexandre de Moraes colocou o Supremo Tribunal Federal diante de uma crise com potencial de produzir consequências políticas e eleitorais. No VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal, o colunista do Radar Robson Bonin afirmou que os elementos revelados precisam ser investigados e que o presidente do STF, Edson Fachin, terá de decidir qual será o encaminhamento institucional do caso. Ao mesmo tempo, segundo Bonin, o episódio passou a preocupar diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT, que identificaram o risco de a associação com Moraes provocar perdas eleitorais. (este texto é um resumo do vídeo acima)

O ponto central, de acordo com Bonin, está nas informações que Vorcaro teria recebido e que, em tese, não deveriam estar disponíveis a um investigado. As mensagens citadas no programa envolvem o próprio Moraes, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. O colunista afirmou que o material levanta dúvidas sobre como informações sigilosas de investigações teriam chegado ao banqueiro e defendeu que os fatos sejam esclarecidos.

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O STF pode abrir uma investigação sobre Moraes?

O presidente do STF afirmou nesta qurta-feira que os indícios exigem “o devido encaminhamento institucional” e que, depois da análise dos fatos e dos procedimentos pertinentes, anunciaria “as medidas cabíveis e necessárias”. A questão, segundo Bonin, é qual formato essa resposta terá e se o caso será levado ao plenário do Supremo.

O cenário é especialmente delicado porque existem pedidos de impeachment contra ministros do STF, tema também mencionado durante o programa. Bonin lembrou que o tribunal já enfrentou anteriormente uma situação de forte desgaste institucional envolvendo o caso Banco Master e afirmou que os ministros sabem que uma solução construída informalmente para proteger um colega poderia produzir novos problemas. Para ele, Fachin estaria adotando uma estratégia de deixar os fatos amadurecerem antes de uma decisão capaz de aprofundar a crise.

Por que Lula e o PT passaram a se afastar de Moraes?

Na avaliação de Bonin, o cálculo mudou quando o Planalto percebeu que Lula não conseguiria ser dissociado politicamente de Moraes. O colunista afirmou que, inicialmente, emissários do governo indicavam que o presidente não pretendia entrar na crise. Depois, porém, o desgaste passou a ser considerado relevante para a campanha eleitoral. “Não dá para dissociar Lula de Alexandre de Moraes”, disse Bonin, ao explicar a mudança de postura do governo.

O movimento também teria chegado ao PT. Segundo o colunista, ministros e integrantes do partido passaram a defender que o caso fosse investigado, em vez de assumir uma posição de defesa de Moraes. Bonin citou manifestações de Gleisi Hoffmann, Fernando Haddad, Paulo Pimenta e Simone Tebet, além do presidente do PT, Edinho Silva, que afirmou que “o sistema está apodrecido”. Para o colunista, a estratégia petista é tentar reduzir a associação entre o partido, Lula e o ministro em meio à campanha.

O que está em jogo para o próximo governo?

Para Bonin, a discussão ultrapassa a situação individual de Moraes porque envolve o futuro equilíbrio de forças do STF. Ele afirmou que o próximo presidente da República terá a possibilidade de indicar três ministros durante o mandato e que uma eventual saída de Moraes em decorrência de uma investigação modificaria completamente esse cenário. Na análise apresentada no programa, os próprios ministros do Supremo sabem que as decisões tomadas agora podem repercutir diretamente sobre a composição futura da Corte.

O cálculo, portanto, envolve simultaneamente a crise institucional, a eleição presidencial e a futura composição do Supremo. Bonin avaliou que proteger Moraes diante das revelações poderia produzir uma reação do eleitorado capaz de atingir Lula nas urnas. Ao mesmo tempo, uma eventual investigação ou processo contra um ministro do STF teria consequências para a própria Corte e para a correlação de forças que será encontrada pelo próximo presidente.