Política
Pesquisa: Lula e Flávio Bolsonaro não convencem sobre casos INSS e Master
Eles semeiam dúvidas no eleitorado, mostra Quaest. É manobra arriscada em meio a uma crise institucional que se espraia
BATANEWS/VEJA / JOSé CASADO SEGUIR SEGUINDO
Lula e Flávio Bolsonaro se mostraram surpreendidos com os resultados da pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (2/9), sobre os efeitos eleitorais dos casos do INSS e do Banco Master.
São enredos de fraudes com proteção política no governo, no Congresso e no Judiciário. Compõem o capítulo mais recente de uma grande confusão institucional, na qual predominam interesses privados dos dois candidatos mais destacados nas pesquisas sobre a disputa pela Presidência da República.
Lula tem um dos filhos sob investigação nas maracutaias do INSS. Flávio Bolsonaro já confessou ter recebido dezenas de milhões de reais em transações obscuras com o antigo dono do Banco Master, que completou cinco meses em prisão preventiva.
Ampla maioria (66%) dos eleitores disse estar suficientemente informada sobre as duas investigações, que são supervisionadas pelo mesmo juiz no Supremo Tribunal Federal, André Mendonça.
Dessa fatia do eleitorado, mais da metade acha que Lula (54%) e Flávio Bolsonaro (52%) ainda devem explicações públicas sobre as razões do envolvimento pessoal ou familiar nos inquéritos do INSS e do Master.
Até agora, Lula e Flávio Bolsonaro não convenceram. E, para a maioria (65%), isso prejudica suas candidaturas.
É o que dizem, por exemplo, mais da metade (57%) dos eleitores não alinhados, ou autodeclarados “independentes”. Donos de aproximadamente um terço dos votos disponíveis eles se tornaram alvo primordial na eleição caracterizada pela elevada e contínua rejeição aos líderes nas pesquisas,
Os dois candidatos começaram a semana discutindo com assessores o que fazer para tentar se distanciar ainda mais da repercussão dos casos INSS e Master. Recorreram à velha fórmula de efeito inócuo, já comprovado: escalaram parlamentares do PT e do PL para culpar o candidato adversário em entrevistas e discursos.
Lula e Flávio Bolsonaro semeiam dúvidas no eleitorado. É manobra de alto risco a um mês da primeira rodada de votação, e em meio a uma crise institucional que se espraia rapidamente pela praça dos Três Poderes, em Brasília.



