Agricultura
Bananicultura exige gestão de solo, clima e pós-colheita eficiente
APTA Regional de Pariquera-Açu reúne estudantes da Unesp para apresentar avanços científicos e soluções de manejo na cadeia da banana.
BATANEWS/REDAçãO
Por trás de uma das frutas mais consumidas no Brasil, opera uma estrutura produtiva que exige conhecimentos profundos de fisiologia vegetal, solo, nutrição e pós-colheita. Para apresentar essa complexidade técnica aos futuros profissionais do setor, a APTA Regional de Pariquera-Açu promoveu uma imersão de uma semana para alunos de pós-graduação da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp de Botucatu.
O treinamento abrangeu os fatores críticos da bananicultura, demonstrando que a planta, capaz de ultrapassar seis metros de altura, não é uma árvore, mas sim uma erva gigante. A haste central, visualmente semelhante a um tronco, consiste em um pseudocaule formado pela sobreposição das bainhas foliares, sustentando cachos de grande porte.
As decisões tomadas antes do plantio impactam diretamente a rentabilidade do bananal. A escolha da cultivar, a análise físico-química do solo, o espaçamento entre plantas e o planejamento da irrigação precisam funcionar como um sistema integrado, garantindo que a cultura encontre as condições ideais para produzir com regularidade.
Destaque: O pseudocaule da bananeira é formado pela sobreposição das bainhas das folhas, criando uma estrutura capaz de sustentar cachos pesados.
A gestão sanitária exige monitoramento constante ao longo de todo o ciclo vegetativo. Doenças fúngicas de alto impacto econômico, como a Sigatoka-Negra e a fusariose da bananeira (Mal-do-Panamá), figuram entre as principais ameaças aos pomares comerciais, sendo capazes de dizimar áreas inteiras caso não haja intervenção rápida.
Durante a capacitação técnica, os pesquisadores demonstraram estratégias de manejo integrado e boas práticas na tecnologia de aplicação de defensivos. A eficiência dos tratamentos fitossanitários depende da calibração precisa dos equipamentos, da escolha adequada de adjuvantes e da observação do momento correto para cada pulverização, reduzindo o desperdício de insumos.
Destaque: O controle rigoroso da Sigatoka-Negra e da fusariose exige tecnologia de aplicação ajustada e uso correto de adjuvantes na calda.
A precisão no campo evita perdas desnecessárias e preserva a área foliar responsável pela fotossíntese, processo biológico que determina o enchimento e o peso final dos frutos do cacho.
A colheita não encerra o trabalho do bananicultor, marcando o início de uma etapa sensível na cadeia de valor. Por ser uma fruta climatérica, a banana continua seu processo respiratório e de maturação mesmo após o desligamento da planta mãe, exigindo controle rigoroso de temperatura e umidade.
A definição do ponto ideal de corte nas áreas de produção determina a vida útil do produto nos canais de distribuição. Na fase de pós-colheita, os frutos passam pelo processo de climatização controlada, no qual a aplicação de gás etileno e a regulação térmica padronizam a maturação para entrega aos supermercados.
A integração entre pesquisa agronômica e formação acadêmica busca preparar o setor para desafios crescentes, incluindo oscilações climáticas extremas, menor disponibilidade de água e demandas por maior eficiência no uso de insumos.
As atividades práticas conduzidas pela APTA Regional de Pariquera-Açu com o Departamento de Horticultura da Unesp acompanham o cronograma de pesquisas da instituição voltado ao desenvolvimento de tecnologias sustentáveis para o Vale do Ribeira.






