Enxaqueca: novo comprimido que previne crises é aprovado pela Anvisa

Aquipta é indicado para adultos que têm pelo menos quatro episódios mensais de enxaqueca; preço e data de lançamento não foram divulgados

BATANEWS/VEJA


Novo remédio para enxaqueca: opção é indicada para quem tem pelo menos quatro episódios mensais de enxaqueca (Reprodução/Getty Images)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta terça-feira, 8, o registro do medicamento Aquipta (atogepanto), comprimido indicado para prevenção de crises de enxaqueca.

Segundo a resolução, publicada no Diário Oficial da União, foram aprovadas duas apresentações do remédio, com comprimidos de 10 mg e 60 mg, em caixas com 28 unidades. VEJA entrou em contato com a AbbVie, biofarmacêutica responsável pelo Aquipta, para saber a data de lançamento e o preço do fármaco, mas não teve retorno até a publicação desta matéria.

O comprimido é indicado para adultos que têm pelo menos quatro episódios mensais de enxaqueca. O atogepanto, princípio ativo do Aquipta, atua no bloqueio de uma via envolvida na transmissão da dor e na fisiopatologia da enxaqueca, com o objetivo de prevenir o aparecimento das crises.

“Estudos de desenvolvimento do medicamento demonstraram que ele reduz significativamente o número de dias mensais de enxaqueca em comparação ao placebo, tanto em pacientes com enxaqueca episódica quanto naqueles com a forma crônica”, afirmou a Anvisa, em nota sobre o registro do remédio.

A dor ligada à enxaqueca geralmente aparece de um lado da cabeça, de forma latejante, e pode ser acompanhada de aura (distúrbios visuais), aversão à luminosidade e náuseas. Seus gatilhos incluem estresse, ansiedade, falta de sono e até o consumo de alguns alimentos, como café, chocolate e comidas gordurosas.

A hereditariedade é um fator de risco importante: se um ou os dois pais tiverem a condição, a probabilidade de o filho apresentá-la varia de 50% a 75%.

Segunda doença neurológica mais comum, afetando cerca de 1 bilhão de pessoas — a primeira é o acidente vascular cerebral (AVC) —, a condição também é a sexta enfermidade mais incapacitante pela escala da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O registro do Aquipta integra uma geração recente de tratamentos que atuam diretamente sobre os mecanismos de dor da enxaqueca. Apesar da existência de algumas opções terapêuticas para prevenção da condição, muitas delas não atuam especificamente nos mecanismos fisiopatológicos da doença, de acordo com a Anvisa. “O Aquipta representa, portanto, uma nova opção de tratamento oral para prevenção da enxaqueca episódica e crônica”, diz a agência.

A enxaqueca é considerada uma doença crônica e ainda não tem cura, mas pode ser controlada. Diagnóstico correto, acompanhamento especializado e uma estratégia individualizada são fundamentais para reduzir a frequência e a intensidade das crises e devolver qualidade de vida ao paciente, como destaca um artigo publicado recentemente na página de VEJA Letra de Médico.