Política
Por que Flávio passou a ameaçar Lula nas pesquisas na reta final da eleição, segundo cientista político
Elias Tavares aponta avanço gradual do candidato no segundo turno e diz que escândalos ainda não provocaram grandes movimentos no eleitorado
BATANEWS/VEJA
A pouco menos de três semanas da eleição, Flávio Bolsonaro conseguiu reduzir gradualmente a distância para Lula e aparece numericamente à frente do presidente na simulação de segundo turno da pesquisa Quaest apresentada no programa Ponto de Vista. No levantamento, Flávio tem 42% das intenções de voto, ante 40% de Lula — resultado que configura empate técnico pela margem de erro. Para o cientista político Elias Tavares, o movimento não aconteceu de uma vez: “A gente percebe, devagarzinho, o Flávio achatando essa diferença do Lula” (este texto é um resumo do vídeo acima).
No primeiro turno, o cenário apresentado por Laísa Dall’Agnol é diferente. Lula aparece com 36%, cinco pontos à frente de Flávio, com 31%. Augusto Cury registra 7%, enquanto Renan Santos e Ronaldo Caiado têm 4% cada. Romeu Zema aparece com 1%. Os indecisos somam 10%, e brancos e nulos, 7%. O levantamento ouviu 2.004 eleitores entre os dias 10 e 13, tem margem de erro de dois pontos percentuais e índice de confiança de 95%.
Lula x Flávio: surpresas e reviravoltas da corrida eleitoral
Por que Flávio ainda fica atrás de Lula no primeiro turno?
Tavares atribui parte da diferença à fragmentação do eleitorado de direita. Enquanto Lula concentra o voto da esquerda, Flávio ainda divide espaço com outros candidatos no primeiro turno. “A notícia que pega para o Flávio é que ele não é unanimidade na direita. Isso fica claro”, afirmou.
O cientista político observa, porém, que a soma dos candidatos da direita já ajuda a explicar o equilíbrio encontrado na simulação de segundo turno. Quando o eleitor precisa escolher entre apenas Lula e Flávio, a dispersão diminui e o candidato do PL alcança o empate técnico com o presidente.
Como Flávio conseguiu diminuir a diferença?
Para Tavares, a série de pesquisas mostra um movimento lento, mas consistente, desde junho. Ele ressalta que as mudanças na preferência eleitoral têm ocorrido de maneira mais tímida do que seria esperado para uma reta final de campanha.
“O comportamento eleitoral está muito tímido. Ele caminha devagarzinho”, afirmou. Ainda assim, olhando o período mais longo, o cientista político identifica uma direção: Flávio vem reduzindo a vantagem de Lula.
O resultado apresentado no programa coloca o candidato numericamente dois pontos à frente no segundo turno, embora sem vantagem estatística. Laísa destacou que uma diferença numérica desse tamanho em favor de Flávio não aparecia nas sondagens citadas desde abril.
Por que os escândalos não mudaram a corrida de forma mais intensa?
Questionado por Laísa sobre os episódios envolvendo os casos Master e Dark Horse, Tavares afirmou que até os escândalos parecem estar sendo absorvidos pelas preferências já existentes do eleitorado. “Até mesmo os escândalos estão se acomodando na preferência do eleitor”, disse.
Para ele, a própria temperatura da campanha ajuda a explicar a ausência de movimentos mais bruscos. Tavares afirmou acompanhar a política de perto desde 2002 e disse nunca ter chegado à metade de setembro, já na reta final, sem perceber o ambiente eleitoral mais intenso que normalmente caracteriza esse período.
Na avaliação do cientista político, as questões envolvendo o STF contribuíram para ocupar o espaço do debate político e reduzir essa sensação de campanha. “A gente não tem aquele movimento de reta final, que é quando a gente ouve todo mundo comentando: ‘Olha, em quem você vai votar?’”, afirmou.
Quem pode ser decisivo num segundo turno?
Tavares também chamou atenção para o eleitorado hoje distribuído entre as demais candidaturas. Augusto Cury vinha crescendo e depois passou a “patinar”, mas será peça cortejada no segundo turno.
O quadro traçado por Tavares combina, portanto, duas tendências. Lula ainda se beneficia da concentração do voto da esquerda e mantém vantagem no primeiro turno, enquanto Flávio enfrenta uma direita fragmentada. Quando a disputa é reduzida aos dois, porém, essa diferença desaparece: o avanço gradual apontado pelo cientista político leva Flávio a 42%, contra 40% de Lula, e mantém a corrida presidencial dentro da margem de erro.






