Uso de semaglutida reduz gordura no fígado em 90% dos pacientes

Após 72 semanas de tratamento, houve uma queda média no índice de 8,8% para 3,1%; condição pode desencadear cirrose, câncer e falência do órgão

BATANEWS/VEJA


Gordura no fígado: problema associado a complicações de saúde é alvo das canetas de GLP-1 (Ilustração: VEJA SAÚDE/VEJA)

O acúmulo de gordura no fígado já se tornou um marcador de risco à saúde e tem sido monitorado por médicos antes que, de forma silenciosa, leve a casos de cirrose, câncer e falência do órgão. O controle do peso, associado à alimentação saudável e exercícios, está entre as recomendações. Seguindo essa linha, um estudo investigou os impactos do uso de canetas antiobesidade, mais conhecidas como canetas emagrecedoras, e mostrou que o tratamento é capaz de reduzir a gordura hepática a níveis normais em 90% dos pacientes. Os achados foram apresentados na reunião anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD), realizado em Milão, na Itália.

O estudo teve início com dados de 1.919 adultos que vivem com obesidade participantes de dois ensaios clínicos da farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk que foram separados em três grupos: 1.312 que utilizaram semaglutida 7,2 mg (ainda não aprovada no Brasil), 304 que receberam semaglutida 2,4 mg e 303 que receberam placebo.

Os pesquisadores classificaram os voluntários de acordo com o risco de presença de gordura no fígado e selecionaram uma amostra de indivíduos com alto risco de esteato-hepatite associada à disfunção metabólica (MASH) que ainda não estavam em estágio avançado, totalizando 55 pessoas.

Para avaliar a variação de gordura no órgão, foi utilizado o exame de ressonância magnética e, após 72 semanas de tratamento (um ano e cinco meses), houve uma queda média no índice de 8,8% para 3,1%.

A análise apontou que, no grupo de pacientes que estavam com gordura no fígado acima de 5%, 88,5% alcançaram índices abaixo de 5%, nível considerado normal, ao final do estudo.

“Os resultados sugerem que a semaglutida pode ajudar a abordar a doença hepática em estágios iniciais, antes que ela se torne um problema de saúde grave capaz de comprometer, a longo prazo, a saúde cardiovascular, renal, hepática e metabólica”, diz o pesquisador Eric Lawitz, do Texas Liver Institute e da University of Texas Health San Antonio. “Isso é relevante porque até três em cada quatro pessoas com obesidade podem apresentar excesso de gordura no fígado.”

Gordura no fígado

A doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD) é uma condição que não costuma causar sintomas, mas pode impactar o órgão de forma grave. Por isso, a gordura no fígado é considerada perigosa.

Cada vez mais comum em função do aumento da obesidade, já está superando o consumo excessivo de álcool e as hepatites virais como principal causa de fibrose, cirrose e câncer hepático.

O número de casos aumentou 50% entre 1990 e 2019 no mundo e a situação é mais grave na América Latina, onde o índice chega a 44% da população.

O que quem tem gordura no fígado deve comer

Não existe um alimento específico que vai beneficiar a saúde do fígado. O ideal é adotar uma dieta equilibrada, mas alguns itens podem ser benéficos, como frutas, verduras, legumes, fibras (como aveia e quinoa), proteínas magras, tubérculos e massas integrais.

É importante evitar comidas gordurosas. No entanto, as gorduras do bem podem entrar no cardápio: abacate, castanhas e azeite extravirgem, por exemplo.