Agronegócios
Mercado de capitais e seguro rural ampliam alternativas de financiamento do agro
CRA, Fiagros e Cédulas de Produto Rural diversificam as fontes de recursos, mas acesso ao crédito, gestão de riscos e proteção contra eventos climáticos seguem como desafios para o setor.
BATANEWS/OPR
A diversificação das fontes de financiamento é uma das alternativas para ampliar o acesso a recursos no agronegócio brasileiro. Além do crédito tradicional, instrumentos do mercado de capitais, como os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas do Agronegócio (Fiagros), oferecem novas possibilidades para captar recursos e atrair investidores.
Diretora da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), Flávia Palacios: “É necessário capacitar o produtor para compreender a análise de crédito e, ao mesmo tempo, fazer com que os agentes do mercado financeiro conheçam melhor a dinâmica da atividade dentro e fora da porteira” – Foto: Divulgação
Para ampliar o alcance dessas ferramentas, porém, o setor precisa avançar na educação financeira, na gestão de riscos, no fortalecimento das garantias e na contratação de seguro rural.
De acordo com a diretora da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), Flávia Palacios, aproximar produtores e agentes do mercado financeiro é parte desse processo. De um lado, os produtores precisam compreender melhor os critérios de análise de crédito; de outro, as instituições financeiras devem conhecer as particularidades da atividade agropecuária para avaliar os riscos e identificar soluções adequadas. “É necessário capacitar o produtor para compreender a análise de crédito e, ao mesmo tempo, fazer com que os agentes do mercado financeiro conheçam melhor a dinâmica da atividade dentro e fora da porteira, inclusive para identificar quais instrumentos de seguro são mais adequados para cada risco', afirmou.
Mercado de capitais diversifica recursos Entre os instrumentos que ganharam espaço estão os CRA, títulos de renda fixa lastreados em recebíveis do agronegócio, e os Fiagros, que permitem investir em ativos e empresas ligados à cadeia produtiva rural. Essas modalidades ampliam as possibilidades de captação para o setor e criam alternativas de investimento para diferentes perfis de investidores.
Os dados apresentados mostram alcances distintos entre os produtos. Aproximadamente 600 mil investidores têm aplicações em CRA, com tíquete médio de R$ 43 mil. Nos Fiagros, o valor médio investido é de cerca de R$ 1 mil, o que indica potencial para ampliar a participação de investidores com menor volume de recursos.
Superintendente de Relacionamento com Clientes da B3, Fabiana Perobelli: “Cédula de Produto Rural pode ser utilizada como garantia e compor operações de CRA e outras modalidades de financiamento” – Foto: Divulgação
Fabiana Perobelli, superintendente de Relacionamento com Clientes da B3, frisou que instrumentos originados diretamente na atividade rural também podem integrar essa estrutura financeira. “É o caso da Cédula de Produto Rural (CPR), que pode ser utilizada como garantia e compor operações de CRA e outras modalidades de financiamento”, destacou.
A ampliação dessas alternativas, contudo, depende de operações estruturadas de acordo com as características do negócio rural e de informações que permitam avaliar a capacidade de pagamento e os riscos envolvidos.
Governança ajuda a administrar riscos
Superintendente de Sustentabilidade da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), Monique Cardoso: “Quando falo de governança e transparência, estou falando de acesso a instrumentos que podem oferecer opções melhores para reduzir custos” – Foto: Divulgação
A volatilidade dos preços, as condições climáticas e as particularidades de cada atividade tornam a gestão financeira um componente importante da estratégia das empresas do agronegócio.
Para Julyana Yokota, managing director e especialista setorial da S&P Global Ratings, risco e volatilidade fazem parte da natureza do setor, o que reforça a necessidade de planejamento, transparência e governança. “Quando falo de governança e transparência, estou falando de acesso a instrumentos que podem oferecer opções melhores para reduzir custos', avaliou.
Essas práticas podem contribuir para que empresas e produtores tenham melhores condições de acessar diferentes modalidades de financiamento e negociar operações adequadas ao seu perfil de risco.
Seguro rural ainda tem baixa cobertura A proteção contra perdas climáticas permanece como um dos pontos de atenção. Monique Cardoso, superintendente de Sustentabilidade da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), afirmou que menos de 100 mil produtores rurais têm seguro no Brasil. “A baixa cobertura preocupa diante da ocorrência de eventos climáticos extremos mais frequentes e intensos”, frisou.
Managing director e especialista setorial da S&P Global Ratings, Julyana Yokota: “A baixa cobertura preocupa diante da ocorrência de eventos climáticos extremos mais frequentes e intensos” – Foto: Divulgação
Além de oferecer proteção financeira diante de perdas, o seguro rural pode contribuir para a avaliação dos riscos da atividade e incentivar práticas mais sustentáveis. Informações climáticas também podem subsidiar decisões de produtores, seguradoras, instituições financeiras e outros participantes do mercado de crédito.
A combinação entre instrumentos de financiamento, garantias, seguro e informações confiáveis pode ampliar as alternativas disponíveis ao agronegócio. “O desafio está em fazer com que essas ferramentas alcancem mais produtores e sejam incorporadas ao planejamento financeiro das atividades, reduzindo a exposição a riscos e criando condições para investimentos de longo prazo”, salientou.






