Articulador de Lula com empresários e negociador no tarifaço, Alckmin é reeleito vice-presidente

Médico e ex-governador de São Paulo, Alckmin chega ao segundo mandato como vice-presidente após mais de cinco décadas de vida pública.

BATANEWS/G1


Vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) — Foto: TV Globo

Geraldo Alckmin (PSB) foi reeleito vice-presidente na chapa de Lula neste domingo (25). Ele exercerá mais 4 anos de mandato consecutivamente.

Ex-rival de Lula na eleição de 2006, o médico iniciou a carreira em 1972. Ele governou São Paulo por 4 mandatos antes de se aliar ao petista.

Como vice-presidente e ministro, Alckmin coordenou ações como o programa Nova Indústria Brasil. Em 2025, liderou negociações de tarifas com os Estados Unidos.

Na campanha do 2º turno, ganhou protagonismo sob o lema 'menos Janja e mais Alckmin'. Ele também rebateu propostas do adversário Flávio Bolsonaro.

Reeleito neste domingo (25) na chapa de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o médico Geraldo Alckmin (PSB) ficará mais quatro anos como vice-presidente da República.

Aos 73 anos, o ex-governador de São Paulo chega ao segundo mandato consecutivo como vice-presidente, após mais de cinco décadas de atuação na política.

Adversário de Lula na disputa presidencial de 2006, Alckmin deixou para trás décadas de rivalidade com o PT para se tornar um dos principais aliados do presidente Lula.

A aproximação começou a ganhar força antes das eleições de 2022, quando os dois formaram uma chapa que reuniu antigos adversários políticos.

Um dos fundadores do PSDB, Alckmin deixou o partido em dezembro de 2021, após mais de três décadas de filiação. Na ocasião, afirmou que era um “tempo de mudança' e “hora de traçar um novo caminho'.

Em março de 2022, ingressou no PSB e, meses depois, foi eleito vice-presidente na chapa de Lula.

Quem é Geraldo Alckmin?

Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho nasceu em 7 de novembro de 1952, em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo.

Médico anestesiologista e professor universitário, iniciou a carreira política aos 20 anos, quando foi eleito vereador de sua cidade natal, em 1972, pelo então Movimento Democrático Brasileiro (MDB).

Cinco anos depois, assumiu a prefeitura de Pindamonhangaba, cargo que ocupou até 1982. Na sequência, foi eleito deputado estadual e deputado federal por São Paulo. Como parlamentar, participou da Assembleia Nacional Constituinte, responsável pela Constituição de 1988.

Em 1994, foi eleito vice-governador de São Paulo na chapa de Mário Covas, com quem também venceu a disputa pela reeleição em 1998. Assumiu o governo paulista em 2001, após a morte de Covas, e foi eleito governador em 2002.

Alckmin deixou o cargo em 2006 para disputar a Presidência da República pelo PSDB. Chegou ao segundo turno, mas foi derrotado por Lula, que conquistou a reeleição naquele ano.

Em 2010, voltou a ser eleito governador de São Paulo e conquistou mais um mandato em 2014. Deixou o governo em 2018 para disputar novamente a Presidência, mas terminou a eleição em quarto lugar, sem chegar ao segundo turno.

Quatro anos depois, protagonizou uma das principais mudanças de sua trajetória política ao aceitar o convite para ser vice de Lula, seu antigo adversário.

Com a vitória da chapa em 2022, assumiu a Vice-Presidência da República em janeiro de 2023 e passou a acumular o cargo com o comando do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Um dos momentos de maior destaque ocorreu em 2025, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou tarifas adicionais sobre produtos brasileiros. Alckmin assumiu a linha de frente das negociações com o governo americano e intensificou reuniões com empresários brasileiros de setores afetados.

Como ministro, Alckmin esteve à frente da Nova Indústria Brasil, programa lançado em 2024 para estimular investimentos e modernização do setor produtivo. Também participou da implementação do programa Mover, voltado à mobilidade sustentável e à redução das emissões de carbono.

'Menos Janja, mais Alckmin'

Na campanha pela reeleição de Lula, Geraldo Alckmin ganhou mais espaço no segundo turno, quando integrantes da campanha passaram a defender uma presença maior de Alckmin e uma redução do protagonismo da primeira-dama, Janja da Silva.

A avaliação foi resumida pela expressão “menos Janja e mais Alckmin', que ganhou força nos bastidores da campanha. A partir daí, o vice-presidente intensificou a agenda de viagens pelo país, participou de atos eleitorais e concedeu entrevistas.

A estratégia era ampliar sua participação na campanha e aproveitar sua interlocução com empresários, representantes do mercado financeiro, religiosos e eleitores de centro para conquistar apoio à reeleição de Lula.

A estratégia buscava ampliar o alcance da candidatura de Lula para além do eleitorado tradicional do PT.

Na reta final da disputa, o vice-presidente também passou a rebater propostas econômicas de Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula no segundo turno.

Alckmin é casado desde 1979 com a professora Maria Lúcia Ribeiro Alckmin, conhecida como Lu Alckmin. O casal teve três filhos: Sophia, Geraldo e Thomaz.

Em abril de 2015, a família enfrentou a morte de Thomaz, aos 31 anos, em um acidente de helicóptero em Carapicuíba, na Grande São Paulo. Na época, Alckmin cumpria seu quarto mandato como governador paulista.

Católico, o vice-presidente é avô de sete netos.