Grupo alvo de operação movimentou mais de R$ 500 milhões em dois anos

THIAGO MARQUES


Foto: Divulgação

A investigação da Operação Ifrit revelou movimentações financeiras superiores a R$ 500 milhões em aproximadamente dois anos atribuídas ao grupo suspeito de traficar drogas e armas pela fronteira de Mato Grosso do Sul. Segundo a Receita Federal, contas de investigados, empresas de fachada e negócios simulados eram utilizados para esconder a origem e o destino dos recursos.

Os detalhes financeiros ampliam as informações sobre a ofensiva deflagrada nesta quarta-feira (4), que, conforme noticiado pelo Dourados Agora, mira uma organização com supostos vínculos com facções criminosas e participação de agentes de segurança.

As análises identificaram indícios de lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e uso de terceiros para movimentar valores. O rastreamento reuniu informações fiscais, bancárias e patrimoniais, além de interceptações e outras medidas autorizadas pela Justiça.

Segundo os investigadores, o comando estaria concentrado em três irmãos, seus filhos e outros parentes. Abaixo desse núcleo, havia divisão de tarefas entre operadores financeiros, responsáveis pela logística e transporte de cargas ilegais e integrantes encarregados da segurança armada. A estrutura teria atuação permanente desde pelo menos 2018.

Empresário de Ponta Porã está entre os alvos

Entre os investigados está o empresário Adel Hassan Haidar, de Ponta Porã. Conforme informações publicadas pelo Campo Grande News, ele consta em registros empresariais como sócio-administrador da Adel Hassan Haidar Ltda., que utiliza o nome fantasia Residencial Nossa Senhora e atua no setor de hospedagem.

A participação específica atribuída ao empresário no esquema não havia sido detalhada nas informações divulgadas até o momento.

Fronteira abastecia rotas nacionais e internacionais

As apurações indicam que drogas e armas eram adquiridas na Bolívia, no Paraguai e no Peru e entravam no Brasil pela fronteira sul-mato-grossense. Depois, as cargas seguiam para municípios de MS e para estados como São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

Parte dos entorpecentes teria como destino Espanha e Portugal. O território brasileiro funcionaria como ponto de armazenamento, transporte e envio das remessas ao mercado europeu.

A investigação também aponta que agentes públicos teriam fornecido informações estratégicas e apoio às atividades ilegais. Na primeira divulgação da operação, foram mencionados policiais civis e militares de Mato Grosso do Sul, além de um policial rodoviário federal.

A ofensiva cumpre 76 mandados de busca e apreensão expedidos pela 3ª Vara Federal de Campo Grande em sete estados: Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, São Paulo, Paraná, Rondônia, Goiás e Santa Catarina. Participam 450 policiais federais, 22 auditores-fiscais e sete analistas tributários da Receita Federal.