Tem dormido mal? Especialistas alertam: distúrbios do sono podem desencadear doenças cardiovasculares

Apneia noturna é um dos fatores de risco que podem contribuir com o surgimento de doenças do coração

CORREIO DO ESTADO / NATáLIA OLLIVER


O sono é primordial para recargar as energias do corpo e melhorar a saúde do coração - Foto: Reprodução

Os brasileiros estão dormindo menos! Estresse, carga horária exaustiva, inversão de turnos no trabalho, insônia, ansiedade e até apneia noturna são alguns dos fatores que têm roubado as noites de sono de inúmeras pessoas no país.  

A situação preocupa especialistas e alerta sobre o aparecimento de doenças cardiovasculares, desencadeadas pela falta de qualidade do sono. 

De acordo com dados da Associação Brasileira do Sono (ABS), a população tem dormido cada vez menos. Em 2019, 65% das pessoas dormiam de 6,6 a 6,4 horas por dia. 

O médico cardiologista do Hospital do Coração de Campo Grande, Proncor, Gustavo Trindade de Queiroz, explica que doenças como: hipertensão arterial, doenças coronárias obstrutivas (artéria entupida), hemangioma refratária (dores constantes no peito) podem colaborar com o aparecimento de doenças cardíacas. 

“A gente passa ⅓ da nossa vida dormindo, e existem sim doenças cardiovasculares que estão muito associadas a qualidade do sono ruim ou falta dele. Entre as doenças do sono mais comuns, a mais associada a isso é a apineia destrutiva do sono, ou o sono não reparador. É a que mais exige atenção' pontua. 

Segundo o médico, a doença é responsável por alterações na respiração do paciente e pode ser percebida à noite, através de roncos, sudorese e pausas durante a inspiração expiração. Durante o dia os sintomas mudam, podendo ser notado pelo cansaço excessivo e falta de disposição. 

O cardiologista ressalta que outras doenças também  podem desencadear quadros de doenças cardiovasculares, como, por exemplo, arritimias. 

“O problema causa pequenos cronos no coração, que podem se desprender e ocasionar um Acidente Vascular cerebral (AVC)', relata.

Para Gustavo, mente e corpo são um só e precisam ser trabalhadas juntos, de forma multidisciplinar.

'É muito comum encontrar pessoa com transtornos ansiosos, depressivos, que abusam do álcool, com burnout ou estresse. Isso pode evoluir para distúrbios do sono. A gente tem que tratar em conjunto com psiquiátricas e psicólogos.', acrescenta.

O grupo mais afetado com distúrbios do sono e mais propenso aos problemas no coração são pessoas com transtornos ansiosos e depressivos, profissionais que trabalham em turnos inversos, como: médicos, enfermeiros, policiais, taxista, entre outros.

“Nosso corpo é feito para estarmos acordamos durante o dia e dormir durante a noite, inverter isso acaba tendo um custo. ', alerta o médico.

Existem estudos que apontam que pessoas que trabalham em turnos alterados tem uma qualidade de vida pior, ou até uma sobrevida alterada. 

De acordo com o cardiologista, o fator obesidade também está relacionado com apneias noturnas e, consequentemente, com danças cardíacas. 

“A redução do peso é relacionada a isso também. Se melhora a apneia melhora a pressão, se melhora pressão melhora a questão cardiovascular.' termina.

Além de todos os malefícios causados pela falta de sono, dormir pouco pode prejudicar a memória, concentração, desempenho intelectual e até o humor. 

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