Promotor pede investigação federal sobre contas do Corinthians e aponta 'maquiagem contábil'

FLáVIO VERãO


Neo Química Arena – ilustrativa. (Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians)

O Ministério Público Federal (MPF) poderá passar a investigar a situação financeira do Corinthians após representação apresentada pelo promotor de Justiça Cássio Conserino, do Ministério Público de São Paulo. O documento, protocolado na quinta-feira (25), aponta indícios de irregularidades contábeis e pede a apuração da gestão financeira do clube.

Na representação, Conserino sustenta que o caso extrapola o âmbito estadual por envolver interesses da União. Segundo ele, o Corinthians deve ser considerado um patrimônio cultural e social brasileiro, beneficiado por programas federais e instituições públicas, o que justificaria a atuação do MPF.

Entre os principais pontos levantados estão supostas inconsistências nas demonstrações financeiras, falta de transparência sobre o financiamento da Neo Química Arena junto à Caixa Econômica Federal e indícios de gestão temerária relacionados ao descumprimento de normas de programas como o Profut e a Timemania.

O promotor também afirma que o clube está em processo para reconhecimento como patrimônio imaterial da cidade de São Paulo, argumento utilizado para defender que a preservação da instituição ultrapassa os interesses de sua administração.

Outro aspecto destacado é um possível conflito de interesses na aprovação das contas pelo Conselho do clube, que teria mantido o parecer favorável mesmo diante de ressalvas apresentadas por auditoria independente.

A representação cita apontamentos da empresa Parker Russell, responsável pela auditoria das demonstrações financeiras. Entre eles está uma suposta 'pedalada contábil', relacionada ao registro, no balanço de 2025, de um desconto de R$ 593,3 milhões referente a um acordo com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional que, segundo o documento, só foi formalizado em fevereiro de 2026.

O promotor também questiona a ausência de demonstrações finan