Política
Tema central da eleição, Lulinha reaviva rixa entre advogado e chefe do PT
Investigações contra filho do presidente por tráfico de influência acirram disputa interna no PT entre Marco Aurélio de Carvalho e Edinho Silva
BATANEWS/VEJA
Alçadas ao centro da campanha eleitoral, as investigações por suposto tráfico de influência do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, no governo de seu pai, o presidente Lula — cujos detalhes foram revelados com exclusividade por VEJA —, esquentaram ainda mais a rivalidade entre o advogado Marco Aurélio de Carvalho e o chefe do Partido dos Trabalhadores, Edinho Silva.
No evento de lançamento da candidatura à reeleição de Lula, no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP), no último domingo, 16, ministros próximos ao defensor de Lulinha, como Jorge Messias (Advocacia-Geral da União), Miriam Belchior (Casa Civil) e Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação), além do ex-ministro da Fazenda e candidato ao governo paulista Fernando Haddad, comentavam à boca miúda sobre a intriga interna.
Não deixa de ser uma “ironia”, segundo esses interlocutores, que Edinho tenha atuado para diminuir o papel de Marco Aurélio na campanha — ele acabou ficando na coordenação jurídica de Lula e na coordenação política no estado de São Paulo — e, agora, com a crescente repercussão das suspeitas em torno de Lulinha, cada vez mais repisadas pelo rival Flávio Bolsonaro (PL), o advogado seja um dos principais porta-vozes em defesa do presidente e de seu filho.
No início da semana, o candidato a vice-presidente do Zero Um, deputado Alfredo Gaspar, declarou que o primogênito de Lula e o ex-chefe de gabinete do petista Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, acabariam presos como resultado dos inquéritos sobre supostas ilegalidades para facilitar negócios na Dataprev e no Ministério da Saúde. Marco Aurélio rebateu prontamente.
“Eles não têm voto e querem levar a eleição no tapetão usando setores da Polícia Federal que foram instrumentalizados por interesses políticos e eleitorais. A Polícia Federal está mais próxima da porta dele e da porta do Flávio, que não explicou as rachadinhas e não explicou as relações com a milícia, os mais de 60 milhões de reais que recebeu do banqueiro (Daniel Vorcaro) e nem as notas fiscais que o escritório dele emitiu para a empresa desse banqueiro”, disse o advogado.
O defensor de Lulinha acrescentou que a declaração de Gaspar seria uma “tática diversionista, pirotécnica”, para tentar “negar o óbvio: que eles não têm um projeto para apresentar ao país, que eles não têm programa de governo para apresentar ao país e que eles não têm voto para vencer essas eleições”.
Carvalho também lembrou a notícia-crime apresentada pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e pela senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) ao Supremo Tribunal Federal em março, durante o funcionamento da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, da qual Gaspar foi relator, acusando o hoje vice de Flávio de um suposto estupro de vulnerável que teria engravidado uma menina de 13 anos. O caso está sob relatoria do ministro Gilmar Mendes na Corte, atualmente na fase de providências preliminares.
Em março, à época da apresentação da notícia-crime, Gaspar divulgou um vídeo em que uma mulher identificada como Lourilene Pereira da Silva nega ser sua filha e declara que seu pai biológico é o magistrado Maurício Breda, primo do deputado. Ela também diz que “não é fruto de estupro algum”, e sim de um “breve relacionamento” entre Breda e sua mãe.
Ao relembrar o caso e a afirmação de Gaspar sobre Lulinha, o advogado do filho de Lula disse que, “sob toda e qualquer perspectiva, é extremamente grave um candidato desprestigiar o princípio da presunção da inocência, desprestigiar o sagrado direito de defesa, mas, para além disso, ele próprio tem sido acusado de coisas muito graves e tem tem dito às pessoas que está sendo vítima de uma acusação”.





