Saúde
64% dos brasileiros que bebem de 5 a 7 dias por semana consideram ter boa saúde
Pesquisa conduzida pelo A.C.Camargo Cancer Center em parceria com o hub de dados Nexus investigou hábitos da população e percepção pessoal sobre saúde
BATANEWS/VEJA
Não existe dose segura de bebida alcoólica para a saúde, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), que também considera o álcool uma substância cancerígena. Ainda assim, 64% dos brasileiros que consomem álcool de cinco a sete dias por semana consideram que sua saúde está “boa” ou “ótima”, mostra uma pesquisa conduzida pelo A.C.Camargo Cancer Center em parceria com o hub de dados Nexus, que ouviu mais de 2 mil pessoas em todo o país.
O levantamento investigou hábitos da população e percepção pessoal sobre saúde. Em relação ao consumo de bebidas alcoólicas, 58% dos entrevistados afirmaram não beber, enquanto 30% disseram consumir álcool de um a dois dias por semana e 5% relataram beber de cinco a sete dias.
A parcela que considera a própria saúde como ótima ou boa é maior entre quem mais consome álcool, um paradoxo que ilustra o perigo da falsa percepção sobre a saúde, avalia Antonio Antonietto, CMO e diretor de governança clínica do A.C.Camargo.
“A pesquisa mostra que existe uma dissonância entre o que a pessoa está sentindo no momento e o que vai acontecer com ela no futuro, já que não existe uma dose de álcool segura para nenhuma doença, especialmente para o câncer“, diz o oncologista a VEJA. “Agora ela se sente saudável, mas as coisas podem já estar acontecendo em seu corpo, o que é um perigo”, acrescenta.
Cenário semelhante foi observado entre os fumantes: 18% dos que afirmaram fumar consideraram ter saúde boa ou ótima, embora o tabaco aumente o risco de uma série de doenças, como câncer de pulmão, DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica) e infarto. O resultado reflete a percepção dos entrevistados e não necessariamente suas condições reais de saúde.
Por outro lado, mais da metade dos entrevistados declarou não consumir bebidas alcoólicas, dos quais 67% têm mais de 60 anos de idade, o que Antonietto considera “uma excelente notícia”.
O consumo de álcool está associado ao desenvolvimento de pelo menos sete tipos principais de câncer: mama, boca, laringe, faringe (garganta), esôfago, fígado e colorretal (intestino, cólon e reto).
Atividade física e alimentação
A pesquisa foi feita a partir de entrevistas face a face com 2.015 brasileiros com idade a partir de 16 anos, nas 27 Unidades da Federação (UFs). A amostra foi controlada a partir de quotas de sexo, idade, PEA, região e condição do município. A margem de erro no total da amostra é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%. As entrevistas aconteceram entre os dias 25 e 30 de junho de 2026.
Segundo o levantamento, 59% dos entrevistados avaliaram a própria saúde de forma positiva, como “ótima” ou “boa”. Outros 33% a classificaram como “regular”. Apenas 4% responderam que seu estado de saúde era “ruim” ou “péssimo”.
Ao avaliar os hábitos do grupo, porém, a percepção pessoal sobre saúde parece equivocada. Em relação à prática de atividade física, por exemplo, 42% dos entrevistados afirmaram que nunca praticam exercícios. Entre aqueles que praticam, a média é de apenas 2,4 dias por semana.
“A pesquisa A.C.Camargo/Nexus mostra que o maior risco do brasileiro, portanto, não está no que ele sente, e sim no que ele não percebe. Excesso de peso, sedentarismo, cigarro e álcool são fatores de risco que se instalam silenciosamente na rotina”, avalia Victor Piana, patologista e CEO do A.C.Camargo.
Já quando o assunto é alimentação, o dado é positivo: dois terços dos entrevistados (66%) afirmam consumir alimentos frescos, como frutas, verduras, legumes, ovos e carnes, seis dias ou mais por semana. Bebidas açucaradas, ultraprocessados, doces e frituras, por sua vez, aparecem em cerca de 2 dias na semana.
Metade dos entrevistados, porém, esbarra em barreiras como preço alto de carnes frescas, frutas e vegetais (29%) e falta de tempo e o cansaço da rotina (21%). Cenário que fica pior para quem ganha até um salário mínimo: nesse público, o preço é o que impede a alimentação saudável de 40% dos entrevistados.
Entre aqueles que recebem mais de cinco salários mínimos, o problema só afeta 10%. Nesse caso, o principal obstáculo é a falta de tempo.






