Como a imprensa internacional repercutiu o debate entre Lula e Flávio

Jornais e agências de notícias de vários países destacaram os ataques, propostas e diferenças de postura entre Lula e Flávio Bolsonaro no último debate antes do segundo turno.

BATANEWS/G1


Flávio Bolsonaro e Lula no estúdio do debate desta sexta-feira (23) — Foto: Globo/Manoella Mello

A imprensa internacional destacou o último debate entre Lula e Flávio Bolsonaro, com ênfase nas diferenças de postura entre os candidatos e nas tentativas de conquistar eleitores indecisos.

Jornais e agências ressaltaram as provocações pessoais, as acusações de corrupção e os embates sobre economia e segurança pública.

As publicações também abordaram as propostas dos candidatos e os possíveis impactos da eleição para as relações internacionais do Brasil, especialmente com os Estados Unidos e a China.

O último debate antes do segundo turno das eleições presidenciais do Brasil, entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), aconteceu nesta sexta-feira (23), na TV Globo, e ganhou destaque na imprensa internacional.

A votação está marcada para o próximo domingo (25) . A dois dias do pleito, Flávio e Lula estão tecnicamente empatados, segundo as últimas pesquisas de intenção de voto. Nesta quinta-feira (22), o Datafolha mostrou ambos com 50% dos votos válidos.

Reportagens de jornais e agências de notícias de diferentes países destacaram os embates sobre economia, segurança pública e as relações do Brasil com os Estados Unidos.

A repercussão internacional apontou diferenças no tom dos candidatos, com “um Flávio mais contido e um Lula mais ao ataque'.

Os veículos também chamaram a atenção para as provocações pessoais, especialmente a fala de Flávio sobre os “nove dedos' de Lula, mencionada na maioria das publicações analisadas. Veja os destaques abaixo:

El País, da Espanha: destacou que, durante o debate de mais de duas horas, o tom foi mais construtivo do que no primeiro encontro , embora ainda tenham ocorrido provocações e insultos. Lula, que começou cauteloso, acabou colocando o rival na defensiva. Le Monde, da França: afirmou que, desta vez, Flávio Bolsonaro usou gravata e não caminhou de um lado para o outro nem gesticulou atrás de seu oponente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como havia feito uma semana antes.

O jornal também destacou o momento em que o senador chamou o presidente de “nove dedos'. Reuters, do Reino Unido: informou que Flávio Bolsonaro e Lula reiteraram suas propostas de campanha durante o debate, com foco em temas como custo de vida, bem-estar social e segurança, além de trocarem acusações de corrupção. A agência destacou as divergências entre os candidatos sobre custo de vida e corrupção. La Nación, da Argentina: afirmou que o debate foi marcado por ataques pessoais.

Flávio chamou Lula de “nove dedos' e perguntou se o país era governado pelo presidente ou pelo Google. Lula o acusou de estar “bajulando Trump', em referência às tarifas americanas impostas a produtos brasileiros. Observador, de Portugal: afirmou que Flávio buscou transmitir uma imagem de moderado e se apresentar como presidenciável. Lula adotou um discurso mais duro e insinuou que o adversário representa um perigo para a democracia. Segundo o jornal, os dois candidatos tentaram conquistar os eleitores indecisos.

Associated Press (AP)

A Associated Press (AP) destacou que Lula e Flávio Bolsonaro chegaram ao último debate antes do segundo turno com um tom mais moderado do que no encontro anterior, realizado cinco dias antes, e tentaram conquistar os eleitores indecisos.

O confronto, transmitido pela TV Globo e com duração de duas horas, teve três momentos de tensão. Um dos principais episódios ocorreu quando Flávio chamou Lula de “nove dedos' , levando o presidente a exigir um pedido de desculpas, que foi concedido pelo senador.

Em outro momento, Lula chamou Flávio de “miliciano', em referência a grupos ligados a policiais no Rio de Janeiro. A agência também destacou o confronto entre o senador e a mãe de uma menina de 5 anos morta em um tiroteio envolvendo um policial que ele havia defendido como advogado.

Além das provocações pessoais, os candidatos discutiram salário mínimo, segurança pública, saúde e incentivos ao agronegócio. A AP também ressaltou que a disputa estava acirrada e que o resultado teria implicações para a política externa brasileira, especialmente nas relações com os Estados Unidos e a China.

Reuters

A Reuters destacou que Lula e Flávio Bolsonaro trocaram acusações sobre custo de vida, segurança pública e corrupção no último debate antes do segundo turno, em uma tentativa de conquistar os eleitores indecisos.

Durante o encontro, os candidatos defenderam suas propostas para temas como bem-estar social e segurança. Na discussão sobre a economia, Lula defendeu os aumentos do salário mínimo acima da inflação e afirmou que seu governo ajudou milhões de brasileiros a sair da fome.

Flávio, por sua vez, criticou a alta dos preços dos alimentos e a reforma tributária, alegando que as novas regras aumentariam a carga de impostos para os consumidores.

A agência também destacou as provocações pessoais, especialmente quando Flávio chamou Lula de “nove dedos' e depois pediu desculpas. Nos minutos finais, os dois candidatos trocaram acusações relacionadas a suspeitas de corrupção envolvendo o Banco Master e familiares dos adversários.

Le Monde

O Le Monde, da França, destacou a diferença de postura entre os candidatos no segundo debate presidencial, descrito pelo jornal como decisivo. A publicação apresentou Flávio Bolsonaro como mais contido e Lula como mais agressivo.

Segundo o jornal, o senador usou gravata, permaneceu atrás do púlpito e evitou os gestos e movimentos que haviam marcado o primeiro encontro, em uma tentativa de transmitir uma imagem mais moderada e profissional.

O jornal afirmou que Flávio conseguiu abordar o custo de vida e o endividamento das famílias em seu discurso inicial, mas tropeçou ao fazer uma provocação pessoal contra Lula, ao dizer que o presidente “dá com uma mão, mas tira com as nove'.

A publicação destacou a repercussão negativa da fala e citou a cientista política Carolina Botelho, que a classificou como discriminatória e afirmou que essa seria uma das declarações mais marcantes do debate.

El País

O El País, da Espanha, destacou que o último debate foi menos acalorado que o primeiro, embora tenha sido marcado por provocações e acusações.

Segundo a publicação, o tom foi mais construtivo. Flávio Bolsonaro adotou uma postura mais moderada e cordial, buscando se apresentar como um candidato mais preparado e conquistar eleitores indecisos.

O senador enfatizou temas como custo de vida e endividamento das famílias, além de prometer aumentos no salário mínimo e nas aposentadorias acima da inflação.

A publicação apontou que Lula, que começou o debate de forma cautelosa, conseguiu colocar o adversário na defensiva ao abordar a segurança pública e a defesa de um policial acusado de envolvimento na morte de uma menina de 5 anos. A mãe da criança estava no estúdio e confrontou Flávio durante o debate.

O jornal também destacou a troca de acusações sobre corrupção, incluindo referências ao Banco Master , e observou que Jair Bolsonaro permaneceu no centro da disputa, tanto pelas comparações feitas por Lula com seu governo quanto pelas promessas do filho de conceder-lhe um indulto.

Observador

O Observador, de Portugal, destacou a diferença de postura entre os candidatos no último debate: Flávio Bolsonaro adotou um tom mais contido, buscando se apresentar como moderado e preparado para a Presidência, enquanto Lula foi mais incisivo nos ataques ao adversário.

Segundo o jornal, Flávio tentou conquistar eleitores de centro e indecisos, evitando insultos e adotando uma postura mais cordial, embora tenha mantido posições à direita em temas como segurança pública.

A publicação apontou que Lula procurou associar Flávio às controvérsias envolvendo Jair Bolsonaro e alertou para o que considera riscos à democracia caso o senador seja eleito.

O debate também teve acusações sobre custo de vida, corrupção e gastos públicos, além de referências à atuação de Flávio durante a pandemia e à morte de uma criança por um policial que ele havia defendido.

O jornal concluiu que não ficou claro se a estratégia dos candidatos conseguiria convencer os eleitores indecisos e aqueles que não votaram no primeiro turno.

Público

O Público, também de Portugal, repercutiu o último debate entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro antes do segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, destacando o volume de promessas feitas pelos dois candidatos e a troca de acusações durante o confronto .

A publicação resumiu o encontro com a expressão “Muitas promessas e as acusações de sempre'.

Segundo o jornal, Flávio Bolsonaro prometeu investimentos em diversas áreas e a manutenção dos programas de apoio social implementados pelo adversário. O senador também criticou a atuação do atual presidente, afirmando que Lula “não entrega nada do que promete'.

Lula, por sua vez, destacou as medidas adotadas durante seu governo e prometeu reforçar algumas delas. O presidente também atacou o adversário, a quem classificou como “fantasticamente mentiroso' e acusou de não conhecer o Brasil.

Na avaliação do Público, os ataques mútuos foram menos frequentes do que no primeiro debate, mas ganharam força com a chegada do chamado “tema livre', etapa em que os candidatos puderam escolher os assuntos e confrontar diretamente o adversário.

A cobertura enfatizou, assim, a combinação de promessas eleitorais e acusações que marcou o último frente a frente antes da votação.

La Nación

O La Nación, da Argentina, destacou os ataques pessoais e as propostas apresentadas por Lula e Flávio Bolsonaro no último debate antes do segundo turno.

O jornal ressaltou as provocações sobre o dedo perdido por Lula em um acidente de trabalho e as críticas do presidente ao adversário, a quem associou às milícias e acusou de favorecer Donald Trump em meio à disputa comercial com os Estados Unidos .

A publicação também abordou as promessas de Flávio para áreas como infraestrutura, segurança e benefícios sociais, além das críticas de Lula às propostas econômicas do senador, que, segundo o presidente, seguiriam o modelo de ajuste fiscal do argentino Javier Milei.

O confronto sobre segurança pública ganhou destaque com a presença da mãe de Ana Clara, menina de 5 anos morta por um policial militar que Flávio havia defendido como advogado.

Segundo o jornal, os dois candidatos tentaram conquistar eleitores indecisos e pessoas que não votaram no primeiro turno.

A reportagem também contextualizou o debate com pesquisas eleitorais que apontavam empate técnico entre os candidatos, conforme os levantamentos divulgados antes da votação.

El País

O El País, do Uruguai, destacou os ataques pessoais entre Lula e Flávio Bolsonaro no último debate antes do segundo turno, incluindo a provocação do senador sobre os “nove dedos' do presidente e a resposta de Lula, que o acusou de nunca ter trabalhado.

O jornal também ressaltou o momento em que Lula sugeriu que os telespectadores pesquisassem suas afirmações no Google, levando Flávio a questionar quem governava o país.

A reportagem abordou ainda os embates sobre economia, salário mínimo, aposentadorias, agronegócio e as políticas do presidente argentino Javier Milei.

Segundo a publicação, Lula questionou as propostas de ajuste fiscal de Flávio e o acusou de bajular Donald Trump , enquanto o senador defendeu o modelo econômico argentino e criticou a gestão petista.

O jornal também contextualizou o confronto com as pesquisas eleitorais, que apontavam empate técnico entre os candidatos, e destacou que o debate era visto como uma oportunidade decisiva para conquistar eleitores indecisos antes da votação de domingo (25).