Economia
Oferta crescente de frango enfrenta desaceleração de consumo em 2027
O excesso de oferta de frango em Santa Catarina e o fim das festas podem pressionar os preços da carne de ave no Brasil no início de 2027.
BATANEWS/AGROIN
A avicultura brasileira caminha para encerrar 2026 com marcas históricas de produção e exportação, mas a dinâmica da oferta projeta desdobramentos operacionais para o primeiro trimestre de 2027. Estimativas da Consultoria Agro do Itaú BBA indicam crescimento anual próximo de 6% na produção nacional de carne de frango, impulsionado pela expansão de 3,7% nos abates e de 6,2% no volume produzido acumulado até o terceiro trimestre de 2026.
A aceleração do ritmo produtivo nas granjas brasileiras coincide com as recentes restrições de mercado aplicadas a Santa Catarina após a confirmação do foco da doença de Newcastle no município de Nova Itaberaba. O bloqueio temporário das compras chinesas e sauditas direcionado às plantas industriais catarinenses força a agroindústria local a buscar alternativas imediatas de liquidez, canalizando lotes excedentes para os centros de consumo das regiões Sul e Sudeste do país.
O direcionamento desse volume de carne para os grandes centros urbanos ocorre em um momento sazonalmente desfavorável para a demanda doméstica de proteínas animais. Historicamente, os primeiros meses do ano registram desaceleração nas vendas no varejo por conta do esgotamento do efeito do 13º salário, dos compromissos financeiros típicos de início de ano e da retração natural do consumo após as festas.
Pressão na oferta: A combinação de produção em alta e bloqueios em Santa Catarina tende a aumentar o volume de frango disponível no mercado interno no início de 2027.
A análise do histórico recente da avicultura nacional auxilia no dimensionamento das oscilações de preços previstas para o atacado nos próximos meses. Durante o evento sanitário de Anta Gorda em 2024, a retração temporária das exportações não desestabilizou a precificação do frango no mercado doméstico, preservando a rentabilidade do setor.
Em contrapartida, a crise provocada pela gripe aviária no município de Montenegro no ano de 2025 gerou reflexos mais profundos. O fechamento simultâneo de 17 mercados compradores durante quatro meses provocou acúmulo de carne nas câmaras frias nacionais, reduzindo as cotações no atacado e comprimindo a margem operacional das empresas avícolas.
O cenário projetado pelo Itaú BBA para o primeiro trimestre de 2027 situa-se em um patamar intermediário entre as duas experiências anteriores. A adoção da regionalização sanitária preservou o fluxo de exportações das indústrias instaladas nos estados do Paraná e do Rio Grande do Sul, contudo a retenção de lotes em Santa Catarina cria um ponto focal de pressão sobre os preços no atacado regional.
Comportamento das margens: A margem da avicultura no mercado interno tende a sofrer compressão pontual caso a estocagem em Santa Catarina perdure até o início do ano.
A sustentação das margens operacionais dependerá da evolução dos custos com a alimentação das aves, com destaque para as cotações do milho e do farelo de soja no mercado físico brasileiro. Embora o preço do frango abatido em São Paulo tenha registrado recuperação na reta final de 2026, atingindo patamares superiores a R$ 8,00 por quilo, a carne de frango mantém elevada competitividade frente aos cortes bovinos dianteiros.
As processadoras sem diversificação geográfica de plantas operam com margens mais estreitas por não conseguirem migrar volumes de exportação para unidades instaladas fora de Santa Catarina. Essas empresas assumem custos adicionais com o armazenamento refrigerado prolongado, concessão de descontos comerciais para desovar estoques e renegociações de prazos de faturamento com distribuidores.
O desempenho final das cotações do frango no atacado nacional dependerá da velocidade com que o Ministério da Agricultura e Pecuária avançará no pleito de reabertura dos mercados da China e da Arábia Saudita para as plantas catarinenses.







