Confira os rankings dos mais eficientes e dos mais ineficientes do Brasileirão

Características de finalizações do atacante do Bragantino indicavam três gols, mas ele fez sete. Rony, do Palmeiras, e Cano, do Fluminense, fizeram dois gols menos que o esperado por xG

BATANEWS/REDAçãO GE


Veja os sete gols de Helinho, do Bragantino, no Campeonato Brasileiro de 2024

Com gol marcado nas duas rodadas passadas do Brasileirão, o atacante Helinho se consolidou como o jogador mais eficiente da competição quando não consideradas as cobranças de pênalti, lances de imensa probabilidade de virar gol.

Helinho fez um golaço na abertura do placar no empate com o Corinthians em 1 a 1, na rodada, o gol de empate no 2 a 2 fora de casa contra o Vasco e , também como visitante. A fase no nacional é tão boa que acabou transbordando para a Copa Sul-Americana, onde fez o gol da equipe na derrota por 2 a 1 como mandante contra o Corinthians.

As características das 35 finalizações que Helinho fez no nacional indicavam, estatisticamente, um potencial para virarem entre dois e três gols, mas o atacante marcou sete gols, uma eficiência de 4,10 gols a mais do que se esperava quando considerados os níveis de ameaça a partir do xG, uma métrica consolidada internacionalmente para dar pesos diferentes para os ataques, dependendo da distância, do ângulo e do número de adversários entre quem faz a finalização e o gol. A metodologia está no final do texto.

Dentro dessas características, veja abaixo quem são os atletas que conseguiram superar o que se esperava que eles fizessem quando consideradas a quantidade e as características das finalizações feitas.

Os mais ineficientes do Brasileirão

Assim como é possível identificar os atletas que fizeram mais do que se esperava em relação a gols, também se descobre quem fez muito menos do que conseguiu a média dos atletas ao longo do tempo, sempre considerando de onde e sob que condições cada conclusão foi feita.

O atacante colombiano Borré, titular do Internacional que está em tratamento de uma lesão muscular na coxa esquerda, é o jogador mais ineficiente da competição. Seria de se esperar que as 18 finalizações que ele fez virassem entre cinco e seis gols, mas ele só conseguiu marcar duas vezes, ineficiência de 3,3 gols menos do que se esperava que tivesse marcado.

Coincidentemente, o segundo jogador mais ineficiente da competição também está em tratamento de uma lesão. O atacante Júnior Santos, do Botafogo, fez 37 finalizações que tinham características para virar entre seis e sete gols, mas conseguiu converter três, ineficiência de 3,1 gols menos do que o potencial estatístico. Júnior Santos sofreu uma fatura na tíbia esquerda ainda no primeiro turno.

Rony e Cano

Atletas de nível incontestável, campeões recentes da Libertadores, Rony, do Palmeiras, e o argentino Cano, do Fluminense, também aparecem no ranking de jogadores mais ineficientes, na quarta e na quinta posições, respectivamente.

Rony fez 38 finalizações com potencial para virar entre seis e sete gols, mas ele marcou quatro. Cano tem 27 conclusões com nível de ameaça para virar quatro gols, mas ele marcou dois.

Veja abaixo a lista dos jogadores mais ineficientes no Brasileirão.

Metodologia

A determinação do nível de ameaça de cada finalização é baseada nos parâmetros do modelo de "Gols Esperados" ou "Expectativa de Gols" (xG), uma métrica consolidada na análise de dados que tem como referência os microdados de 108.306 finalizações cadastradas pela equipe do Espião Estatístico em 4.388 jogos de Brasileirões desde a edição de 2013.

São consideramos a distância e o ângulo da finalização, além de características relacionadas à origem da jogada (por exemplo, um contra-ataque tem maior chance de virar gols porque nessa situação normalmente há menos adversários entre o gol e a bola), a parte do corpo utilizada na finalização, se foi feita de primeira, se foi feita cara a cara com o goleiro ou mesmo se o gol estava aberto, sem goleiro, quando a conclusão foi feita.

O desempenho de um jogador é comparado com a média dos atletas da mesma posição, seja atacante, meia, volante, lateral ou zagueiro, e consideramos o que se esperava da finalização por ter sido feita com o "pé bom" (o direito para os destros, o esquerdo para os canhotos) ou com o "pé ruim" (o oposto). Foram identificados também os ambidestros, que chutam aproximadamente o mesmo número de vezes com cada pé.

Considerados todos os arremates feitos, de cada cem finalizações da meia-lua, por exemplo, apenas sete viram gol. Então, uma finalização da meia-lua tem expectativa de gol (xG) de cerca de 0,07 (ou 7%).

De cada posição do campo, uma finalização tem expectativa diferente de virar gol. Para compreender, imagine a possibilidade que você teria de fazer um gol da pequena área sem goleiro e a compare com a chance de um chute do meio-campo vencer um goleiro profissional.

A pontuação, esse 0,07 para a meia-lua, de cada finalização é somada e com isso se chega ao potencial que cada atleta teve em todos os jogos para fazer gol. Se ele fez mais do que essa marca, ele foi eficiente, se ele faz menos do que esse número, ele foi ineficiente.

*A equipe do Espião Estatístico é formada por: Davi Barros, Guilherme Maniaudet, Guilherme Marçal, João Guerra, Leandro Silva, Roberto Maleson, Roberto Teixeira, Valmir Storti e Zé Victor Meirinho.